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domingo, julho 13, 2014

13 de Julho - Dia Mundial do Rock - Repost

Não vou comentar de onde veio esta expressão “RocknRoll”, nem quem foi ou se diz pai da matéria, nem quem foi ou se diz a grande banda de Rock de todos os tempos. Isso deve sair em um monte de lugares por aí. Aqui, vou falar que eu gosto de rock. Hoje praticamente gosto de quase todo tipo de Música (com M maiúsculo), vou além das guitarras distorcidas e solos velozes, mas tudo começou com o Rock. Influenciado pelo meu irmão mais velho, passei a gostar de Rock, Punk, conheci os medalhões da história e elegi minha banda de cabeceira:

 ( Up The Irons!! )

Aprendi a arranhar violão, depois enveredei pela guitarra e hoje faço uns “batuques” na bateria. Gravei um cd por curtição com uns amigos, montei uma banda, gravei outro cd pra mais curtição e confesso que ultimamente sinto falta de um bom show de Rock. Escrevi reviews de shows que vi, e até de shows imaginários que, infelizmente, não puder ver. Fui influenciado e influenciei um monte de gente.

Só pedi um único autógrafo na vida. Foi para o Marcelo Nova, fundador e eterno líder da banda Camisa-de-Vênus. E mesmo assim, só pelo fato de que nascemos no mesmo dia do mesmo mês em anos diferentes. Em um destes “nosso” aniversário, encontrei com ele em – onde mais? – uma loja de discos. Ah, e também pelo fato de que eu nasci na exata data em que Elvis Presley morreu – contei isso ao Marceleza que escreveu no autógrafo: "Grande Marceleza! Morrem reis e nascem reis! Grande abraço!"

Resolvi fazer um “inventário” de alguns dos shows que vi - algumas bandas por bem mais que uma vez. Nem todos podem ser considerados do Rock, mas com certeza, de alguma maneira, todos foram influenciados ou influenciadores. Meu único arrependimento nesta área é não ter visto Ramones ao Vivo. Foi maus... "One, Two, Three, Four" Forever!!



Fica o refrão de uma musica do Kiss que diz:

“God gave rock and roll to you, gave rock and roll to you
Gave rock and roll to everyone (oh yeah)
God gave rock and roll to you, gave rock and roll to you
Put it in the soul of everyone”



Meu Inventário do Rock:
Nacionais:

angra
arnaldo antunes
barao vermelho
biquini cavadao
cachorro grande
camisa de venus
capital inicial
cassia eller
charlie bronw jr
cidade negra
cpm 22
emerson nogueira
engenheiros do hawai
ira
jota quest
kid abelha
leo jaime
lulu santos
marcelo d2
marcelo nova
nando reis
nenhum de nós
o rappa
os paralamas do sucesso
pafo fu
pitty
planet hemp
plebe rude
raimundos
rita lee
rpm
rumbora
sepultura
skank
titas
ultraje a rigor
velhas virgens
viper


Internacionais:

acdc
agent orange
alice in chains
bad religion
bb king
black sabbath
buddy guy
deep purple
depeche mode
doors 21 century
echo and the bunnyman
evanescence
faith no more
foo fighters
green day
guns n roses
inxs
iron maiden
kiss
l7
lenny kravitz
little richard
live
living colour
metallica
morrissey
new order
nirvana
oasis
offspring
pearl jam
red hot chilli peppers
smashing pumpkins
soul asylum
supergrass
the cult
the cure
the sisters of mercy
tsol
u2
white zombie


Veja o vídeo abaixo e, talvez, perceba...
Sim, eu estava lá!!

segunda-feira, junho 23, 2014

Heeeeey, Eu quero ser seu amigo de novo!!!

Eu disse, Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeey, eu quero ser seu amigo de novo!!!!!

Sensacional! Me diverti muito nesse show desses caras. Rock N Roll For Fun total, sem nenhuma pretensão!
E o local então? Circo Voador é "cRássico"!

Saudades de um show desse aqui -> RoseBombom

Com vocês, a última grande banda nacional criada para fazer rock n roll puro (na minha opinião totalmente irrelevante!): Cachorro Grande!!






Hey Amigo

Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Porque a gente sabe
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Porque a gente sabe
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
Conte comigo se você precisar
De um amigo para desabafar
Noite e dia
Toda hora pela madrugada
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Porque a gente sabe
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
Talvez você não irá encontrar
Alguém com quem você possa falar
Noite e dia
Toda hora pela madrugada

domingo, maio 11, 2014

Black Sabbath - Aos mestres... A reverência!! (repost)

Épico, Histórico, Sensacional - Sabe aqueles momentos em que você olha pro céu e agradece ao seu Deus (seja ele qual for) por algo? Pois bem, acredito que na última sexta-feira, 70 mil pessoas fizeram isso!

I can’t fuck hear you!!!

Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013, Campo de Marte - SP

É indescritível. Só quem esteve lá pra saber. Finalmente o Black Sabbath tocou no Brasil com sua formação 75% original ( o baterista Bill Ward não embarcou nessa de “reunião” e preferiu ficar em casa ).

Desde o anúncio do retorno da banda, da gravação do disco e da turnê, amantes do Heavy Metal do mundo inteiro ficaram ansiosos. E a banda entregou muito mais do que era esperado. No disco, na turnê, nos shows.

O Black Sabbath tem 43 (43!!!!!) anos de carreira. Ok, pararam por um tempo aqui, trocou o vocal ali, mudou o nome acolá, blábláblá. Mas o fato é que os caras são quase uma unanimidade. Eles são os pais de tudo. Os responsáveis. Os precursores. Os deuses do Heavy Metal, que provavelmente não existia antes deles lançarem “Black Sabbath” em 1970 - o disco de estréia.

O show
Ah, claro, a banda de abertura: o Megadeth. Eu não conheço Megadeth. Conheço 1 música - Symphony of Destruction. Conheço a história do Dave Mustaine, que era do Metallica, e saiu porque, reza a lenda, abusou das drogas. E só. Respeito, mas não conheço... então não posso falar. Pela reação da platéia ao meu redor, o show foi bom.

O Black Sabbath - Ôô ôôôôôô
Eu já tinha visto Ozzy duas vezes anteriormente. Uma vez no Parque Antarctica - onde eu estava com as duas pernas operadas e tive que ficar apoiado nos amigos. Outra vez no Anhembi, onde choveu tanto, tanto que eu quase morri afogado.

O show começou antes do previsto, uns 20 minutos. Luzes já apagadas e de repente, a voz do tiozinho sequelado mais legal do mundo começa com o seu “Ôô ôôôôôô”. Sirenes saindo das caixas. A cortina preta subiu e eles estavam lá: Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e o baterista contratado para os shows, Tommy Clufetos. A música: “War Pigs”. Juro, eu vi metaleiro com 2 metros de altura e cara de mau... com lágrimas escorrendo no rosto!

O som estava ótimo, na altura certa (pista premium), os telões tinha boa definição, não estava absurdamente lotado. Não dava para acreditar que tudo estava tão bom!

Ozzy tem 64 anos. Corre de um jeito engraçado de um lado para o outro, se apóia no microfone e balanca a cabeleira, bate palmas no estilo polichinelo, molha o rosto em um balde de água e tem um repertório de poucas frases que repete durante todo o show:

  • I cant fuck hear you! ( colocando as mãos nos ouvidos )
  • God bless you all! We love you! ( a cada final de música )
  • Go crazy!! C’mon!!! ( no meio de todas as músicas )
Ôô ôôôôôô ( regendo a platéia como se fosse um maestro )

Ozzy é um show a parte. Poder vê-lo ali, gritando as letras que, segundo dizem, ele mesmo não entende, é sensacional. Tony Iommi é provavelmente o cara que mais sabe fazer ( e fez ) riffs de Heavy Metal. Isso porque ele não tem a ponta do dedo médio e do anelar da mão direita, a mão que faz os acordes. Está enfrentando um linfoma que lhe obriga a tomar remédios fortes a cadas seis semanas. Disse que vai tocar “até quando for possível”. Força!
Geezer Butler - o cara que batizou a banda com o nome Black Sabbath, começou como guitarrista, mas resolveu ficar no baixo mesmo. E escrever letras. Escrever músicas. Músicas como N.I.B, Heaven and Hell, War Pigs, Sympton of the Universe, Iron Man and Computer God. Todas dele. Todas!

O "cara" que escreveu "Paranoid" & "N.I.B." - Fonte:Uol


Depois de “War Pigs”, veio “Into The Void”, “Under the Sun/Everey Day Come” e “Snowblind. 
Nesta última, jogaram um morcego de borracha no palco. Ozzy pegou, sorriu e jogou de volta para a platéia. Fico me pergutando quantas vezes esse ato se repetiu ao longo de todos esses anos.

Veio a primeira música nova, “Age of reason”. Deu pra perceber que nem todos conheciam, mas a recepção foi boa no geral. O disco “13” é muito, muito bom. Todos os ingredientes com a assinatura do Black Sabbath estão lá. Tem clima sombrio, tem baixo forte, os riffs animais, tem o assunto religião. Do jeito que um disco do Sabbath é.

Aí meu amigo, veio “Black Sabbath”. Considerada por muitos a primeira música de Heavy Metal da história. Ouvir o Black Sabbath tocá-la em 2013 é algo que eu nunca acreditava que poderia acontecer. E no final, o telão mostrou Tony Iommi fazendo o símbolo do Heavy Metal discretamente com a mão. Valeu o ingresso!

Mas ainda tinha muito mais. Tinha “Behind the Wall of Sleep”. E no final, o momento do Geezer fazer um rápido solo de baixo, que culminou na introdução de “N.I.B”. Essa introdução, tocada daquele jeito, naquela altura, fazia reverberar tudo ao redor. Simplemente animal!

Veio a segunda música do disco novo “End of the Beginning”. Puta som, puta música! Introdução soturna, mudança de tempo, bateria forte. A única ressalva: é uma música longa... quase 9 minutos! Poderia ser substituída por umas duas das clássicas, mas ok.

Os Mestres. Fonte: Uol

“Fairies Wear Boots”, “Rat Salad” e iniciou-se o solo de bateria de Tommy Clufetos. Quem gravou a bateria do disco “13” foi Brad Wilk, do Rage Againt the Machine. Para os shows, Tommy,  baterista da banda solo do Ozzy, é o responsável. Seria muito bom ver o baterista original, Bill Ward, tocando na banda e assim ver 100% do Sabbath. Guitarristas podem tocar até ficarem bem velhinhos como BB King(que tem 88 anos), ou Jeff Beck (que tem 69 anos). Baixistas também... mas bateristas precisam de um pouco mais de vigor físico para tocar. -  Ok, Charlies Watts, dos Stones, tem 72... mas ele toca beeeeem devagar, certo? - Em resumo, Bill Ward não teria a pegada necessária. E temos que tirar o chapéu para a escolha do Sabbath: Tommy Clufetos é um monstro. Ataca sua bateria com uma fúria absurda. Sem firulas, sem marabalismo, faz o que tem que fazer. 

Normalmente solos de bateria são uma coisa meio chata, mas esse cara veio mostrar serviço. Certas horas dava impressão que tinha mais alguém tocando, não era só ele.
E claro, o final do solo de bateria é o momento perfeito para ficar batendo no bumbo e introduzir “Iron Man”. Não preciso falar o efeito que essa música causa em quem gosta de Rock n Roll. Cantada (berrada) do começo ao fim por 70 mil pessoas!

A música seguinte foi “God is Dead?”, single do disco novo, a mais conhecida. Por esse motivo foi a que mais agitou das três nova tocadas. Ozzy anunciou “Dirty Women” dizendo que gosta de garotas safadas, e o telão atrás da banda exibia imagens antigas de mulheres seminuas. RocknRoll e Sexo: juntos desde que o mundo é mundo.

Seguindo o script dos shows, Ozzy gritou para a platéia:
“Vocês estão loucos? Fiquem loucos!!! Se vocês ficarem loucos, nós vamos tocar mais músicas!! Go fucking crazy!!!”

E começou “Children of the Grave”. Riff clássico. Até o Ozzy fez sinal de reverência a Tony Iommi. Se o cara faz aqueles solos sem ter sensibilidade nos dedos...

Detalhe dos "dedos postiços" do Tony Iommi. Fonte:Uol

Já sabíamos que o show estava no final, e essa música foi um êxtase total. Na platéia só tinha gente sorrindo, um bando de marmanjos, carecas, barrigudos, todos sorrindo como criança quando ganha doce.

A banda saiu, ovacionada, um barulho ensurdecedor. Então, depois de poucos minutos, a voz de Ozzy puxou o coro de “one more song, one more song”. Voltaram, e Iommi tocou a introdução de "Sabbath Bloody Sabbath" pra depois emendar em Paranoid. Foi uma versão um pouco diferente, um pouco mais lenta do que a versão que o Ozzy toca nos shows solo, mas... é “Paranoid”. Fico imaginando quantas bandas surgiram, quantos moleques compraram guitarras, quantas baquetas foram quebradas por causa dessa música. Está no meu top five das músicas de RocknRoll. Eu toco em uma banda, e esta é a única música que tocamos em TODOS os ensaios.

Acabou.  A sensação era de ter feito parte de um momento histórico. Uma aula com os verdadeiros mestres. O Black Sabbath. A banda responsável por tudo ao redor quando se trata de Heavy Metal. Ozzy é o verdadeiro Deus Metal. Que ele continue até onde der, dando seus gritos, suas corridinhas estranhas no palco . Ele agradeceu, disse que nos amava mais uma vez. E pediu mais uma vez que Deus nos abençoasse. Amém, Ozzy... Amém!

Marcelo Machado tem 36 anos e trocaria facilmente um rim, um dedo e duas costelas pela habilidade em fazer solos como Tony Iommi faz.

++++++++++++++++++++++++++

Abaixo, vídeos de War Pigs, N.I.B. e um bônus.
Agradecimentos aos caras que tiveram o dom de filmar as músicas por inteiro e compartilhar!


War Pigs - 2013 - Campo de Marte



N.I.B. - 2013 - Campo de Marte



Mettalica & Ozzy (percebam a reverência do Metallica, a felicidade do James Hetfield ao tocar junto com o Ozzy. No final, o baterista e fundador do Metallica, Lars Ulrich, diz: "Este cara é a razão pela qual estamos aqui!")




domingo, outubro 13, 2013

Black Sabbath - Aos mestres... A reverência!


Épico, Histórico, Sensacional - Sabe aqueles momentos em que você olha pro céu e agradece ao seu Deus (seja ele qual for) por algo? Pois bem, acredito que na última sexta-feira, 70 mil pessoas fizeram isso!

I can’t fuck hear you!!!

Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013, Campo de Marte - SP

É indescritível. Só quem esteve lá pra saber. Finalmente o Black Sabbath tocou no Brasil com sua formação 75% original ( o baterista Bill Ward não embarcou nessa de “reunião” e preferiu ficar em casa ).

Desde o anúncio do retorno da banda, da gravação do disco e da turnê, amantes do Heavy Metal do mundo inteiro ficaram ansiosos. E a banda entregou muito mais do que era esperado. No disco, na turnê, nos shows.

O Black Sabbath tem 43 (43!!!!!) anos de carreira. Ok, pararam por um tempo aqui, trocou o vocal ali, mudou o nome acolá, blábláblá. Mas o fato é que os caras são quase uma unanimidade. Eles são os pais de tudo. Os responsáveis. Os precursores. Os deuses do Heavy Metal, que provavelmente não existia antes deles lançarem “Black Sabbath” em 1970 - o disco de estréia.

O show
Ah, claro, a banda de abertura: o Megadeth. Eu não conheço Megadeth. Conheço 1 música - Symphony of Destruction. Conheço a história do Dave Mustaine, que era do Metallica, e saiu porque, reza a lenda, abusou das drogas. E só. Respeito, mas não conheço... então não posso falar. Pela reação da platéia ao meu redor, o show foi bom.

O Black Sabbath - Ôô ôôôôôô
Eu já tinha visto Ozzy duas vezes anteriormente. Uma vez no Parque Antarctica - onde eu estava com as duas pernas operadas e tive que ficar apoiado nos amigos. Outra vez no Anhembi, onde choveu tanto, tanto que eu quase morri afogado.

O show começou antes do previsto, uns 20 minutos. Luzes já apagadas e de repente, a voz do tiozinho sequelado mais legal do mundo começa com o seu “Ôô ôôôôôô”. Sirenes saindo das caixas. A cortina preta subiu e eles estavam lá: Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e o baterista contratado para os shows, Tommy Clufetos. A música: “War Pigs”. Juro, eu vi metaleiro com 2 metros de altura e cara de mau... com lágrimas escorrendo no rosto!

O som estava ótimo, na altura certa (pista premium), os telões tinha boa definição, não estava absurdamente lotado. Não dava para acreditar que tudo estava tão bom!

Ozzy tem 64 anos. Corre de um jeito engraçado de um lado para o outro, se apóia no microfone e balanca a cabeleira, bate palmas no estilo polichinelo, molha o rosto em um balde de água e tem um repertório de poucas frases que repete durante todo o show:

  • I cant fuck hear you! ( colocando as mãos nos ouvidos )
  • God bless you all! We love you! ( a cada final de música )
  • Go crazy!! C’mon!!! ( no meio de todas as músicas )
- Ôô ôôôôôô ( regendo a platéia como se fosse um maestro )

Ozzy é um show a parte. Poder vê-lo ali, gritando as letras que, segundo dizem, ele mesmo não entende, é sensacional. Tony Iommi é provavelmente o cara que mais sabe fazer ( e fez ) riffs de Heavy Metal. Isso porque ele não tem a ponta do dedo médio e do anelar da mão direita, a mão que faz os acordes. Está enfrentando um linfoma que lhe obriga a tomar remédios fortes a cadas seis semanas. Disse que vai tocar “até quando for possível”. Força!
Geezer Butler - o cara que batizou a banda com o nome Black Sabbath, começou como guitarrista, mas resolveu ficar no baixo mesmo. E escrever letras. Escrever músicas. Músicas como N.I.B, Heaven and Hell, War Pigs, Sympton of the Universe, Iron Man and Computer God. Todas dele. Todas!

O "cara" que escreveu "Paranoid" & "N.I.B." - Fonte:Uol


Depois de “War Pigs”, veio “Into The Void”, “Under the Sun/Everey Day Come” e “Snowblind. 
Nesta última, jogaram um morcego de borracha no palco. Ozzy pegou, sorriu e jogou de volta para a platéia. Fico me pergutando quantas vezes esse ato se repetiu ao longo de todos esses anos.

Veio a primeira música nova, “Age of reason”. Deu pra perceber que nem todos conheciam, mas a recepção foi boa no geral. O disco “13” é muito, muito bom. Todos os ingredientes com a assinatura do Black Sabbath estão lá. Tem clima sombrio, tem baixo forte, os riffs animais, tem o assunto religião. Do jeito que um disco do Sabbath é.

Aí meu amigo, veio “Black Sabbath”. Considerada por muitos a primeira música de Heavy Metal da história. Ouvir o Black Sabbath tocá-la em 2013 é algo que eu nunca acreditava que poderia acontecer. E no final, o telão mostrou Tony Iommi fazendo o símbolo do Heavy Metal discretamente com a mão. Valeu o ingresso!

Mas ainda tinha muito mais. Tinha “Behind the Wall of Sleep”. E no final, o momento do Geezer fazer um rápido solo de baixo, que culminou na introdução de “N.I.B”. Essa introdução, tocada daquele jeito, naquela altura, fazia reverberar tudo ao redor. Simplemente animal!

Veio a segunda música do disco novo “End of the Beginning”. Puta som, puta música! Introdução soturna, mudança de tempo, bateria forte. A única ressalva: é uma música longa... quase 9 minutos! Poderia ser substituída por umas duas das clássicas, mas ok.

Os Mestres. Fonte: Uol

“Fairies Wear Boots”, “Rat Salad” e iniciou-se o solo de bateria de Tommy Clufetos. Quem gravou a bateria do disco “13” foi Brad Wilk, do Rage Againt the Machine. Para os shows, Tommy,  baterista da banda solo do Ozzy, é o responsável. Seria muito bom ver o baterista original, Bill Ward, tocando na banda e assim ver 100% do Sabbath. Guitarristas podem tocar até ficarem bem velhinhos como BB King(que tem 88 anos), ou Jeff Beck (que tem 69 anos). Baixistas também... mas bateristas precisam de um pouco mais de vigor físico para tocar. -  Ok, Charlies Watts, dos Stones, tem 72... mas ele toca beeeeem devagar, certo? - Em resumo, Bill Ward não teria a pegada necessária. E temos que tirar o chapéu para a escolha do Sabbath: Tommy Clufetos é um monstro. Ataca sua bateria com uma fúria absurda. Sem firulas, sem marabalismo, faz o que tem que fazer. 

Normalmente solos de bateria são uma coisa meio chata, mas esse cara veio mostrar serviço. Certas horas dava impressão que tinha mais alguém tocando, não era só ele.
E claro, o final do solo de bateria é o momento perfeito para ficar batendo no bumbo e introduzir “Iron Man”. Não preciso falar o efeito que essa música causa em quem gosta de Rock n Roll. Cantada (berrada) do começo ao fim por 70 mil pessoas!

A música seguinte foi “God is Dead?”, single do disco novo, a mais conhecida. Por esse motivo foi a que mais agitou das três nova tocadas. Ozzy anunciou “Dirty Women” dizendo que gosta de garotas safadas, e o telão atrás da banda exibia imagens antigas de mulheres seminuas. RocknRoll e Sexo: juntos desde que o mundo é mundo.

Seguindo o script dos shows, Ozzy gritou para a platéia:
“Vocês estão loucos? Fiquem loucos!!! Se vocês ficarem loucos, nós vamos tocar mais músicas!! Go fucking crazy!!!”

E começou “Children of the Grave”. Riff clássico. Até o Ozzy fez sinal de reverência a Tony Iommi. Se o cara faz aqueles solos sem ter sensibilidade nos dedos...

Detalhe dos "dedos postiços" do Tony Iommi. Fonte:Uol

Já sabíamos que o show estava no final, e essa música foi um êxtase total. Na platéia só tinha gente sorrindo, um bando de marmanjos, carecas, barrigudos, todos sorrindo como criança quando ganha doce.

A banda saiu, ovacionada, um barulho ensurdecedor. Então, depois de poucos minutos, a voz de Ozzy puxou o coro de “one more song, one more song”. Voltaram, e Iommi tocou a introdução de "Sabbath Bloody Sabbath" pra depois emendar em Paranoid. Foi uma versão um pouco diferente, um pouco mais lenta do que a versão que o Ozzy toca nos shows solo, mas... é “Paranoid”. Fico imaginando quantas bandas surgiram, quantos moleques compraram guitarras, quantas baquetas foram quebradas por causa dessa música. Está no meu top five das músicas de RocknRoll. Eu toco em uma banda, e esta é a única música que tocamos em TODOS os ensaios.

Acabou.  A sensação era de ter feito parte de um momento histórico. Uma aula com os verdadeiros mestres. O Black Sabbath. A banda responsável por tudo ao redor quando se trata de Heavy Metal. Ozzy é o verdadeiro Deus Metal. Que ele continue até onde der, dando seus gritos, suas corridinhas estranhas no palco . Ele agradeceu, disse que nos amava mais uma vez. E pediu mais uma vez que Deus nos abençoasse. Amém, Ozzy... Amém!

Marcelo Machado tem 36 anos e trocaria facilmente um rim, um dedo e duas costelas pela habilidade em fazer solos como Tony Iommi faz.

++++++++++++++++++++++++++

Abaixo, vídeos de War Pigs, N.I.B. e um bônus.
Agradecimentos aos caras que tiveram o dom de filmar as músicas por inteiro e compartilhar!


War Pigs - 2013 - Campo de Marte



N.I.B. - 2013 - Campo de Marte



Mettalica & Ozzy (percebam a reverência do Metallica, a felicidade do James Hetfield ao tocar junto com o Ozzy. No final, o baterista e fundador do Metallica, Lars Ulrich, diz: "Este cara é a razão pela qual estamos aqui!")



domingo, outubro 06, 2013

The Last Party - B-52's


Sábado, 06 de Outubro de 2013, HSBC Brasil, SP
Há muito tempo se diz por aí que o Brasil é um alento para bandas e grupos musicais em plena decadência. Particularmente eu não concordo com isso. E se eu concordasse, teria perdido a oportunidade de me divertir no último sábado, dia 06 de Outubro - Party Out of Bounds!!!

Crédito Imagem: www.uol.com.br
B-52’s. B Fifth Twos, ou Bife com Xuxu! Não importa como o nome é pronunciado. Se você tem mais de 30 anos, com certeza já ouviu uma música acelerada, dançante, com um riff de guitarra marcante chamada Private Idaho. 
O lugar: HSCB Brasil. Alguns acham a casa pequena. Outros dizem que o som deixa a desejar. O fato é que o lugar foi uma boa opção para esse show. Normalmente, o HSBC é o local escolhido pelos produtores para shows não tão “mainstream”. Pra se ter uma idéia eu vi o divertido show do “Mr Big” lá (aquela banda da música "To Be With You").
O público: Considerando que o B-52’s lançou somente dois discos de músicas inéditas nos últimos 21 anos e que o estilo musical no qual eles foram batizados, o New Wave, não existe mais,  o público não poderia ser diferente. Poucos ali deviam ter menos de 35 anos. E muitos estavam bem acima desta média. Vale citar que pista vip, mesas e camarotes deram lotação esgotada. Só havia ingressos para pista normal.
O show: Se eu puder descrever em uma palavra, diria que foi um show... honesto! Sim, honesto. Como eu já disse, o B-52’s não lança nada novo há 2 décadas. Então, de uma certa forma você sabe o que eles vão apresentar, direto ao ponto, sem firulas.
Sem banda de abertura, o show marcado para as 21:00hs começou as 21:15hs. E logo de cara deu pra perceber que não tinha firulas mesmo. Nada de música de introdução, fumaça de gelo seco ou luzes piscando. Nada! Nem abertura de cortina teve, porque a cortina já estava aberta. A banda simplesmente entrou no palco e começou a tocar “Planet Claire”. Cindy Wilson, Fred Schneider e Kate Pierson, nesta ordem, entraram e saldaram o público com gestos. O pessoal devolveu com entusiamo.
Nesta primeira música, Kate Pierson usa sua voz forte e acompanha toda a base junto com o teclado. Cindy Wilson toca (toca?) bongô e Fred Schneider fica brincando com seu agogô. Esse esquema vai se repetir durante todo o show.
A segunda música é "Mesopotamia". E a terceira, a música que eu jurava que fechava o show, e com certeza a mais famosa da banda: "Private Idaho". Colocar essa música nos primeiros minutos faz a banda ganhar a platéia facilmente. Fica difícil ouvir os vocalistas cantando, tamanha a empolgação do público.
O B-52’s tem 37 anos de carreira. Kate Pierson tem 65 anos, Fred Schneider tem 62 e a caçula é Cindy Wilson com 56. Mas incrivelmente, quem agita mais é Kate Pierson. Ela obviamente não tem mais a mesma energia e remelexo de antigamente - os quilinhos a mais são visíveis - mas ainda dança, faz algumas coreografias dos videoclipes e praticamente não fica parada durante todo o show. Bem diferente de Cindy Wilson, que praticamente não dança. No máximo dá um pra lá e um pra cá. Parece até que ela está doente, gripada ou sei lá o quê. O fato é que ela realmente se mexe pouco no palco. Isso não influencia na sua voz, que continua a mesma. Aliás, todos os três continuam exatamente com a mesma potência vocal. Não deixaram nada a desejar nesse quesito. 
Outro detalhe sobre Cindy Wilson é que em algumas músicas, ela toca bongô. Bom.. dizer que ela TOCA bongô me parece otimismo demais... Parece que ela aprendeu com o Jô Soares....
Alguns segundos depois de ter acabado Private Idaho, faltou energia no HSBC. Na verdade, faltou energia no quarteirão. De início a banda ficou no palco meio sem saber o que fazer, mas logo Fred Schneider começou a puxar palmas da platéia junto com o baterista Sterling Campbell que ficou fazendo uns solos, aproveitando que seu instrumento não precisa de energia elétrica.
O gerador do HSBC entrou em cena e ao reacenderem as luzes Fred Schneider disse: “Desculpem por isso... nós esquecemos de pagar a conta de luz...”. É amigo, não tá fácil pra ninguém!
Anunciou “Lava”. Confesso que pelo nome não lembrava da música, mas aos primeiros acordes, voltei para 1982 onde eu não sabia falar o nome da banda, mas achava os penteados e as cores bem legais.
Próxima música: “Dance This Mess Around” - conhecida de poucos na platéia. Na sexta, “Girl from Ipanema Goes to Greenland” é o momento solo de Cindy Wilson. Ao anunciar a música, ela dedicou ao irmão, Ricky Wilson, ex-guitarrista e um dos fundadores do B-52’s que morreu de complicações por causa do HIV em 1985. Cindy saiu da banda entre 1990/1994 e 1999/2001, para cuidar da família.
Kate Pierson voltou ao palco para um dos grandes momentos do show. A dobradinha de “Roam” e “Legal Tender” cantada pelo duo de vocalistas mais colorido da história. Sim, Cindy Wilson continua com seus cabelos louríssimos, quase brancos, com franjinha de colegial. Kate Pierson não trouxe nenhum penteado mirabolante, mas conserva o vermelho dos seus cabelos com uma dedicação incrível!
Inicialmente eu achei que as duas interagiam pouco uma com a outra e poderiam até estar no esquema “Keith Richards X Mick Jagger”, mas ao menos nessas duas músicas, a coisa foi diferente. Ela correram juntas de um lado para o outro, se abraçaram, Cindy puxou Kate para lá e para cá, riram. Pareciam realmente duas amigas que se encontravam para fofocar em pleno show. Foi a primeira e última vez que Cindy deu uma “agitada”. No restante do show ela realmente parecia um pouco afastada de todos. Enquando Fred e Kate dançavam juntos, ela preferia ficar no outro canto do palco.
Com essas duas músicas também fica claro que elas não perderam a qualidade da voz. Continuam com o mesmo tom, força, timbre, tudo perfeitamente igual há 20, 25 anos atrás.
Durante “Legal Tender”, talvez a música que tem o videoclipe mais famoso da banda, eu senti falta de um telão de efeitos ou alguma produção mais rebuscada. Mas não havia nada. Somente uns 7 pontos de luz projetados no fundo do palco, que mudavam de cor. Só. Nem um cartaz com o nome da banda.
Mesmo assim, ao final da música, foi o momento em que a banda (no caso as duas, pois Fred não estava no palco) foi mais aplaudida e ovacionada! Ficaram visivelmente emocionadas.
Fred Schneider voltou e seguiu-se com as 4 músicas mais desconhecidas do set: “Love in the Year 3000”, “Is that you Mo Dean”, “6060-842” e “Whammy Kiss”.
Como foi um momento meio morno e estas músicas não são especificamente as minhas mais preferidas, aproveito para falar da banda de apoio. Já comentei do baterista Sterling Campbell. Completava a cozinha, a baixista Tracy Wormworth. Paul Gordon nos teclados e... putz.. esqueci o nome do guitarrista. Mas o ponto aqui é que as músicas são executadas com precisão cirúrgica. Exatamente igual ao que você escuta no disco, principalmente pelo guitarrista-não-lembro-o-nome e pelo baterista Sterling (que tocou com óculos escuros e é a cara do Vin Diesel). E isso é bom! Os rifs de guitarra eram exatamente iguais aos que você conhece. O baterista toca naquela velocidade ramoniana que as músicas exigem, mantendo a pegada do começo ao fim. Em algumas músicas, rola até um peso maior na dupla guitarra-bateria, mostrando que ao vivo, tudo pode ficar até mais divertido.
Fred Schneider apresentou a banda, as duas vocalistas apresentaram ele... muito barulho, palmas e assobios. Agradeceram e saíram do palco. Depois de 5 minutos voltaram para o bis com “Party Out of Bonds” e “Rock Lobster”. Parte das músicas foi tocada com a luz da platéia acesa, pois era o último grande momento do show e todos sabiam disso, então todos aproveitaram ao máximo em ver e ser visto. Talvez era o último momento do B-52’s no Brasil. Apesar deles não terem deixado claro, essa é provavelmente a última turnê (que não tem nem nome). Após o guitarrista Keith Strickland ter anunciado a aposentadoria no final do ano passado e ter parado de excursionar, a banda disse que daria um tempo e que está cansada. Além disso, todos tem projetos paralelos - Kate , por exemplo, tem dois hotéis nos EUA que administra junto com sua companheira, com quem vive desde 2003 e vai lançar disco solo -  Cindy tem a The Cindy Wilson Band.
Eu saí satisfeito do show. Na verdade não foi um show. Não foi “o melhor show que você viu na vida”, como prometeu Fred Schneider em entrevista ao Jornal da Globo. Não teve essa conotação de espetáculo. Foi... uma festa! Sim, foi uma festa entre amigos que tocaram umas músicas dançantes pra se divertir um pouco. O B-52’s não fez um espetáculo para conquistar ninguém. Eles não querem mais isso e nem poderiam. Ninguém saiu do show e vai atrás de discos dos caras. Foi só uma festa. Mas foi uma festa muito, muito divertida. 
Ao sair do palco, Fred Schneider disse: “Nos vemos em...algum vídeo por aí”. E fim! Não só o fim de um show, mas talvez o fim de uma das bandas mais divertidas e festeiras dos últimos tempos.
Marcelo Machado tem 36 anos e gostaria de conhecer Love Shack - a little old place where we can get togheter. Love Shack Baby!


segunda-feira, janeiro 31, 2011

Iron Maiden no Rock in Rio III - 10 anos depois...



No dia 19 de Janeiro completou-se 10 anos da apresentação do Iron Maiden no Rock in Rio III. Foi um show diferenciado, não só pela volta do Maiden ao festival, mas por ser a primeira apresentação com os três guitarristas - Dave Murray, Janick Gers e Adrian Smith.

Para comemorar, o amigo Igor do Blog Flight666 ( @BlogFlight666 ) re-publicou as minhas aventuras naquele dia.

Clique AQUI e leia!

Up The Irons!!










quarta-feira, março 24, 2010

BB King - terceira vez!!

Promessa cumprida! Eu vi novamente BB King, de perto, pela terceira vez. Dia 19 de Março de 2010, eu estava lá, vendo esse senhor "tentar tocar guitarra"- como ele mesmo diz, fazendo suas caretas, brincando com sua "Lucille. Para quem não curte música pode soar meio insano, paranóico ou até mesmo ridículo, mas para mim, que não vivo sem música e reconheço nesse senhor bonachão uma lenda viva (para ficar no lugar comum)... não tem preço. Simplesmente não tem preço. Poucos coisas na vida me provocam tão bem estar quanto isso...



Peace of Mind

I've had everything that money can buy,
Oh, but still i'm so unhappy darling, that i could cry
Because i've never had peace of mind, darling, in my life time

When you're in trouble and all down and out,
Then you'll find out, darling, what it's all about
Then you'll realize that peace of mind, darling, is hard to find

I've been everywhere, seen everything but i only have myself to blame,
For not realizing while i was riding high that happiness is something money can't buy
Oh, the things i haven't done, darling, are very few
Yes, i've had trouble baby, and good luck too
Oh, but i've never had peace of mind, darling, in my life time

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Metallica - pós show

Objetivo cumprido. Se a idéia era apagar a má impressão do show de 99, foi feito com louvor.
Creio que tudo contribuiu. O som estava melhor, mais alto e mais claro. O lugar era maior e a acústica de um estádio de futebol tem seus méritos. Duramente castigada pelas chuvas nos últimos dias, milagrosamente não choveu nesta noite e o Metallica fez a o que lhe era esperado.

Após tentar vender dois ingressos que estavam sobrando, entramos no estádio do Morumbi por volta das 20horas. O Sepultura e o vocalista monstro Dereck já estavam no palco fazendo todo o barulho que tinham direito. Nunca fui fã de Sepultura, gosto de um par de músicas dos caras e só.

O que eu esperava do Metallica? Clássicos, peso nas músicas e pouco espetáculo visual. Me surpreendi na parte do visual. Os caras tinham três telões, dois laterais e um no fundo do palco. E este último era de grande tamanho e definição. Dava pra acompanhar a movimentação dos caras com tranquilidade, até porque a pista estava lotada e a movimentação era bem reduzida. Somente quando uma ou outra roda de headbangers mais afoitos explodia, um espaço aqui e ali aparecia. No geral, o gramado do Morumbi estava completamente tomado.

Os caras começaram o show muito bem, com Creeping Death. Logo em seguida veio For Whom the Bell Tolls e The Four Horsemen. Boa trinca, apesar de eu achar que For Whom... é uma música muito poderosa pra ser gasta assim logo de cara. Mas os caras tinham outras cartas na manga. Não vou falar de cada uma das músicas, tem um monte de reviews no www.whiplash.net, mas não dá pra deixar de comentar que ver os caras tocando "Fade To Black", "One", "Master of Puppets" e "Stone Cold Crazy" é absurdamente bom pra quem gosta de rocknroll. One teve telão em preto e branco, junto com explosões no palco e chamas ao redor. Até "Enter Sadman", que muita gente torce o nariz por ser do disco "comercial" do Metallica, tem um efeito absurdo nas pessoas. Nas suas principais viradadas, essa música teve fogos de artifício saudando o público. 30 mil pessoas cantando um refrão, fazendo tanto barulho que era quase impossível ouvir o próprio James Hetfield.

Aliás, o vocalista do Metallica parecia contente com o que via. Em diversos momentos interagia com o público perguntando se estávamos sentindo a energia da noite. Entrou pro clube daqueles que dizem que as platéias brasileiras são as que mais participam, dedicou música aos brother do Sepultura, etc.

Na última música, "Seek and Destroy" já no bis, James Hetfield perguntou porque as pessoas queriam ouvir aquela música, porque gritavam o nome daquela música. "-Deve ser porque ela é de poucas palavras, uma letra fácil". Seja como for, ele pediu para acenderem as luzes do estádio e então, a banda pode ver o Morumbi lotado cantando cada parte da música. Fim do show, jogaram muitas palhetas, muitas baquetas, cobriram a bateria com a bandeira nacional e cada um foi ao microfone dizer suas palavaras de agradecimento. O baterista Lars Ulrich, fundador da banda e conhecido por não ser de muitas palavras, disse algo como:
"-Prometo que não iremos demorar mais 11 anos pra voltar!!"

A bom rocknroll agradece!

PS. O vocalista James Hetfiled não é a cara do Mano Menezes, técnico do Corinthians????

Abaixo, vídeos amadores

Enter Sadman



Fade to black



Master of Puppets

domingo, setembro 28, 2008

Evanescence

As portas abertas e as dores - 22/04/2007


Sábado, 22 de
abril de 2007, estádio Palestra Itália, SP


originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/

Por MM
Como sofre essa Amy Lee...



A banda esperou, esperou e esperou (até demais) mas finalmente o Evanescence, liderado pela vocalista Amy Lee, aportou em terras brasileiras para um total de quatro shows, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Um pouco de história. O embrião do Evanescence surgiu quando em 1994, o guitarrista Ben Moody e a vocalista Amy Lee, com 14 e 13 anos respectivamente, se conheceram em um acampamento para jovens. Ben viu Amy tocando piano e cantando, e depois de um xavequinho qualquer, resolveram que montariam uma banda. Aí aconteceu tudo aquilo que acontece com todas as bandas. Tocaram nuns inferninhos, gravaram demos e o EP de nome “Origin” em 2000 (onde está registrada a música “My Immortal”). Correram atrás até o sucesso chegar junto com o primeiro álbum oficial, “Fallen”, que só foi lançado em 2003. Nesta época a banda contava com Amy Lee, Rocky Gray (bateria), John LeCompt (guitarra), David Hodges (baixo) que ficou pouco tempo e nem saiu em turnê sendo substituído por Willian Boyd e Ben Moody (guitarra). Este álbum vendeu 14 milhões de cópias, rendendo até 2 Grammys à banda.


No final de 2003, Ben Moody cansou da brincadeira e decidiu dar área sem mais nem menos, deixando Amy Lee muito puta da vida, afinal, a banda estava engrenada e perdia o seu principal guitarrista e compositor. Reza a lenda que rolou um aprochego entre os dois, o que deve ter deixado a Amy mais puta ainda. Hoje ela costuma dizer que nunca mais vai trabalhar com o cara (tô de mal). No lugar de Ben, entrou Terry Balsamo.

Aí em julho de 2006, o baixista Willian Boyd também resolveu sair fora, sendo substituído por Tim McCord. Essa formação ficou e segue até hoje.


Vamos ao show
Apesar de muito esperado pelos fãs brasileiras, as apresentações da banda no país não tiveram lotação esgotada em nenhuma cidade*.

Em Porto Alegre, foram somente 8 mil pessoas. Em São Paulo, somente 25 mil do total de 35 mil ingressos foram vendidos.

Desde o dia 9 de abril, alguns fãs mais afoitos acampavam às portas do Parque Antarctica na esperança de ficar mais perto da banda. Rolaram alguns percalços no caminho, inclusive o fato de uma fã ter sofrido um atropelamento na porta do estádio. Coisas...


Duas bandas de abertura, ambas vaiadas nos shows anteriores. Não posso dizer nada delas, pois não cheguei no local a tempo de conferir.

Ao entrar no estádio pude confirmar o que já esperava: O Parque Antarctica estava vazio. O único setor que parecia estar completamente tomado era o das cadeiras cobertas. Pista e arquibancada geral estavam tranqüilas. (Cambistas vendiam ingressos a 60 reais, metade do preço original). Pude ficar a alguns metros do palco, sem empurra-empurra e nem precisei dormir na porta do estádio, mas enfim...

A montagem do palco do Evanescence começou por volta das 20h30. Uma grande cortina preta e branca foi fechada, escondendo alguns detalhes. O curioso aqui é que neste estádio, absolutamente nada pode ser preto e branco... será que a Amy pagou uma multa?

A arquibancada fazia um barulho infernal a qualquer movimentação no palco. Enquanto os instrumentos eram afinados e ligados, o pessoal gritava, cantava, urrava... nem a fraca chuva que insistia em cair desanimava essa galera. Galera composta em sua maior parte por meninas com trajes negros. Algumas acompanhadas do pai ou irmão mais velho.

Exatamente as 20h59, as luzes se apagaram, as cortinas se abriram e a banda iniciou o show com “Sweet Sacrifice”, do recém-lançado “The Open Door”. Seria a primeira das diversas músicas estilo “meu mundo caiu” de Amy Lee. Ela é esperta, sofre por amor como todos, mas ao invés de se trancar no quarto, escreve músicas que são instantaneamente consumidas.

“ Um dia eu esquecerei o seu nome e um doce dia, você estará afogado na minha dor perdida” – trecho de Sweet Sacrifice



O palco não gera grandes impactos. Só um painel atrás do baterista com o símbolo da banda (um grande “E” estilizado) e dois pequenos painéis de cada lado. Há também um telão de cada lado, possibilitando uma visão tranqüila. O som está baixo, e olha que estou a poucos metros das caixas de som.

O show segue, e na terceira música, o primeiro grande hit “Going Under”. A galera, em sua maior parte formada por adolescentes, canta do início ao fim. Amy Lee dá boa noite, agradece a todos e diz que é tudo por causa dos fãs, os fãs que pediram, choraram e gritaram, e por isso eles estão no Brasil. Diz que é uma honra.

“Vou te contar o que tenho feito por você
Já chorei 50 mil lágrimas,
gritando, enganando, e sagrando por você
E, ainda sim, você não me ouve...” - Trecho de Going Under

Durante a semana, os fãs armaram surpresas para o show, uma delas foram as bexigas brancas que apareceram durante a música “Lithium”, o atual som que está sendo tocado nas rádios. Com o piano no centro do palco, Amy Lee parece se surpreender com a manifestação da platéia.


“Venha para a cama, não me faça dormir sozinha
não consegui esconder o vazio que você mostrou
nunca quis que fosse tão frio
apenas não bebeu o suficiente para dizer que me ama” – Trecho de Lithium


Muita gente acha que o Evanescence é uma cópia descarada do Nightwish (que compareceu ao show em algumas camisetas), que a banda não tem atitude, que é um produto fabricado.
Tudo isso pode ser verdade, mas o talento vocal de Amy Lee tem de ser reconhecido. Sua voz é realmente forte e faz frente pesada ás guitarras do resto da banda.

O resto da banda... nenhum dos outros membros do Evanescence se destaca durante o show. Cada um faz a sua parte sem muitas firulas. Não há solos longos, virtuosismo, performances, nada, nada. E os telões do Parque Antarctica contribuem para isso... de vez em quando mostram o baterista Rocky Gray e só. É Amy Lee o tempo todo. E aproveitando, falemos dela.


Um pouquinho acima do peso (Não há nada sexy em pele e osso. você tem de ter alguma carne. – disse ela certa vez), cabelos ora presos ora soltos e com pouca maquiagem emoldurando os belos olhos verdes, ela faz seu show particular balançando os braços, rodando em seu vestido cor de vinho e soltando um ou outro sorriso para as câmeras. Não chega a agitar muito, mas é suficiente para os fãs de verdade. Conversa um pouco e manda muitos “obrigada”.

Antes da execução de “Tourniquet”, ela pergunta quem fala inglês. Obviamente quase todos levantam os braços e gritam dizendo que sim. Ela diz um “Thanks God” e pede que ao contar até 3, todos dêem dois passos atrás, sem explicar porque. E mais uma vez, obviamente, nem todo mundo entende. Ela tenta de novo, e de novo, até que alguns se movem e ela se dá por satisfeita.

Outro momento de explosão da platéia vem em “Call me when you´re sober”, também do disco novo cantada do começo ao fim. A banda insiste em dizer que as suas letras não são necessariamente tristes, mas que mostram um outro lado, que tudo pode começar outra vez. Veja um fragmento de “Call me...” e tire suas conclusões.


“Você nunca me liga quando está sóbrio
Você só quer, porque acabou, acabou
Como eu pude queimar o paraíso?
Como pude? Você nunca foi meu”


Outro grande hit do disco anterior, “Bring me to life” , que na versão original tem duas partes cantadas por Ben Moody. No show, o guitarrista Terry Balsamo não faz questão de participar e só vai ao microfone em alguns momentos.

O show segue, Amy Lee anuncia que irão tocar somente mais algumas músicas. Após “Lacrymosa”, a galera tinha preparado outra surpresa, cantar uma música da banda, mas não houve tempo e nem sincronismo. Amy Lee surgiu ao piano e a introdução de “My Immortal” ecoou nas caixas de som. Desnecessário dizer que os celulares se acenderam e ela quase não precisou cantar. O coro da platéia feminina, presente em todo o show, mostrou ao que veio. Amy Lee entendeu e deixou alguns versos por conta das fãs. No dvd “Anywhere but home” gravado ao vivo em um show em Paris, nas cenas de bastidores durante esta música, os outros
integrantes da banda ficam fazendo graça e imitando os trejeitos de Amy enquanto ela está ao piano tocando e a platéia se descabelando. Os caras tem que se divertir não é?


“Eu não posso mudar quem eu sou
Não desta vez, eu não irei mentir para manter você perto de mim
nesta curta vida, não há tempo pra perder desperdiçando
meu amor não foi o suficiente” – trecho de Lacrymosa

A última música, “Your Star”, também é do último disco. Amy Lee agradece, sai do palco. O guitarrista Terry joga umas palhetas, brinca com a platéia. O baterista Rocky manda umas baquetas e é só. Acabou o show. Tão simples que eu ainda fiquei parado esperando algo acontecer. E então entrou a equipe para desmontar o palco.
The End.


Enfim, acho que foi um show que agradou somente quem realmente é fã da banda (fã perfil Iron Maiden, manjam?). Durante 1h20, eu assisti mas não me empolguei nem um pouco. Talvez eu esteja ficando velho, talvez o Evanescence tenha demorado a vir ao Brasil, talvez as duas coisas. Morno, quase frio. Acho que eu preferia os discos anteriores. Mas ok, eu não tinha nada pra fazer mesmo...


Na saída, caminhando pela avenida Francisco Matarazzo em direção ao estacionamento, sou abordado por um taxista que pergunta: “ O show já acabou?”. Olhei bem pra ele e respondi: “ Pra falar a verdade... acho que nem começou...”.
Ele não deve ter entendido nada...


Set list

1. "Sweet Sacrifice" ("The Open Door")
2. "Weight of the World" ("The Open Door")
3. "Going under" ("Fallen")
4. "The only One" ("The Open Door")
5. "Lithium" ("The Open Door")
6. "Good Enough" ("The Open Door")
7. "Haunted" ("Fallen")
8. "Tourniquet" ("Fallen")
9. "Call me When You´e Sober" ("The Open Door")
10. "Imaginary" ("Fallen")
11. "Bring me to Life" ("Fallen")
12. "Whisper" ("Fallen")
13. "All That I'm Living for" ("The Open Door")
14. "Lacrymosa" ("The Open Door")
15. "My Immortal" (Fallen)
16. "Your Star" (The Open Door)

*Nota da Redação – Este review foi escrito no domingo, 23 a tarde. Quem sabe o público carioca faça um milagre.


MM tem 29 anos e prefere se arrepender das coisas que faz do que daquelas que não faz.

B. B. King

Let the good times roll... The King of the Blues!!!!

originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/

Por MM

Antes de tudo, uma apresentação para todos se situarem*

O guitarrista de blues-rock que entraria para a história como B. B. King nasceu Riley B. King, em Itta Bena, vilarejo localizado às margens do delta do rio Mississipi. Nascido no berço do Blues não era de se estranhar que o jovem King se interessasse por música, carreira que era muito mais proveitosa à época do que colher algodão, única alternativa restante. Desde a infância se interessou por blues, country, gospel e jazz.

O responsável por introduzir King no mundo artístico foi seu primo Bukka White, guitarrista de blues profissional em Memphis em meados da década de 40. Em pouco tempo B. B. King se mudaria definitivamente para Memphis, passando a se apresentar nas rádios locais e conquistando uma boa audiência entre os ouvintes negros. Nessas apresentações em rádio (na realidade shows ao vivo transmitidos) ganhou o apelido de Beale Street Blues Boy, mais tarde abreviado para Blues Boy King e finalmente B. B. King.

Em 1949 gravou suas primeiras faixas em vinil. Durante o início dos anos 50 foi produzido por ninguém menos que Sam Philips, até então um produtor medíocre. Em 1951 conseguiu pela primeira vez sucesso nacional nas paradas de r&b com a música Three O'Clock Blues. Aproveitando a boa repercussão montou a banda Beale Streeters (com o vocalista Bobby Bland, o pianista Johnny Ace e o baterista Earl Forest).

Conta a lenda que nesta turnê a sua lendária guitarra Lucille foi batizada. Após arriscar a vida para salvar a guitarra de um incêndio em um bar em Arkansas, King chegou à conclusão que algo tão importante para ele não podia ficar sem um nome. Ao contrário do que se pensa, porém, Lucille não é apenas uma guitarra, mas várias, que ele trata como uma só.

Durante as últimas décadas o estilo de King praticamente não mudou. Foi um dos poucos artistas de blues (senão o único) a conseguir manter-se em evidência durante tantos anos sem tornar seu som comercial. Continua tocando para platéias pequenas, com a mesma paixão de sempre, simpático com os fãs e respeitado por qualquer guitarrista de blues ou rock que se preze.

Ok, agora você sabe de quem vamos falar. Como diz o mestre de cerimônias no show:

“Ladys and Gentleman... The King of The Blues : BB KING!!!!!”


Domingo, 3 de dezembro
de 2006, Via Funchal – São Paulo


Blues... será aquela música de tiozinhos que insistem em tomar whisky quente (caubói) em ambientes enfumaçados, sempre tendo um negão chamado “Charlie” ao piano?

Talvez sim, talvez não. O fato é que os anunciados últimos shows no Brasil da turnê mundial de despedida “The Farewell Tour” tiveram lotação esgotada. Só em SP foram quatro apresentações, sendo uma beneficente e mais três no Via Funchal.
A última, na segunda-feira dia 4, foi marcada de última hora devido à grande procura. BB King tocaria ainda no Rio de Janeiro e em Curitiba.

A apresentação beneficente foi na casa Bourbon Street, reduto de blues em SP que foi inaugurado em 1993, com um show de quem?? Sim, dele, BB King. Alguns lugares foram leiloados e chegaram no valor de pouco mais de 4 mil reais!

Ok, chega de números e vamos ao show:
Com atraso de 40 minutos, entra a banda que começa fazendo um número de blues.
Cada um dos integrantes (metais, baixo, guitarra, teclados e bateria) tem o seu momento de fazer solo. Parece uma jam session. Os integrantes da metaleira ficam passeando pelo palco, sentindo o clima, estalando os dedos. Isto tudo dura por volta de 20 minutos. São de certa forma, regidos pelo “band leader” Bugaloo, o trompetista. Um negrão gordo, metido a dançarino que é uma figura e está na banda há 27 anos.

Até que outro integrante da metaleira, vem ao microfone no centro do palco, diz algumas palavras com um sotaque dificílimo (ao menos para mim) de entender, e chama ele, o rei do Blues.

BB King já passou dos 80 anos. Tem diabetes, a qual já levou sua sensibilidade da ponta dos dedos. Tem dores nas costas e por tudo isso, caminha muito devagar. Sua entrada ao pouco causa uma comoção na platéia de tal forma, que creio que não precisava mais nada. Só o fato deste camarada estar ali presente já é um show. Ele agradece, faz reverência ao público. Se acomoda, recebe sua “Lucille” de seu fiel escudeiro Bugaloo e inicia o show fazendo algo que muitos não gostam: falando muito. Pede desculpas pelo idioma, diz que não está bem das costas, dos joelhos e nem da cabeça, por isso vai tocar sentado.


Daqui pra frente, temos aproximadamente uma hora e meia de um verdadeiro show. BB King conversa muito, muito mesmo. Ao final de cada música, sempre agradece. Diz um “obrigado” carregado, lembrando que essa é a única palavra que aprendeu no nosso idioma, mas que ainda diz com um sotaque de Mississipi. Toca sua guitarra de forma econômica, ligando e desligando várias vezes, dando a oportunidade de todos na banda fazerem seus solos e brilharem juntos. Coisa de quem sabe que não precisa provar nada para ninguém.

Na apresentação da metaleira, cada um dos integrantes, na sua vez, dança no palco divertindo muito a platéia. Ao apresentar o guitarrista, BB King chama-o de “young man” causando uma reação engraçadíssima no resto da banda. Todos gritam, fazem protestos, jogam toalhas no chão e tal. BB King olha para a platéia com ar de “como esses caras são chatos” e diz que comparado a ele mesmo, todos na banda são garotos.

Um momento marcante nos seus shows: Após apresentar a banda, empunha sua Gibson
no alto, dá um beijo carinhoso nela e diz: Esta é Lucille, minha guitarra! Alguns aplaudem de pé...

Diz que tem 81 anos de idade, 60 de carreira, e que as pessoas se surpreendem ao saberem a sua idade. Comenta que está bem devido aos bons médicos que o acompanham, o Dr Viagra, a Dra. Cialis e o Dr. Levitra. Espera as risadas da platéia e fala que quando nós chegarmos aos 80 anos, também precisaremos consultar esses doutores.

Mesmo falando muito, é constantemente interrompido pelos aplausos da platéia. Ao final de cada frase, é muito saudado por todos os presentes.

Sua conhecida faceta de galanteador tem grande participação no show. Diz que as mulheres são a inspiração de Deus na Terra. Que todas são bonitas, e algumas são lindas. Brinca com alguns casais na platéia, diz para os homens fazerem aquela cara de “cachorrinho perdido na chuva” cantarem e dedicarem a canção “I’m Sorry” somente a elas.

O repertório do show é diversificado, com canções ditas mais novas, misturadas a versões diferenciadas de antigos sucessos, como a versão acelerada de “Bad Case of Love”. Eu senti falta de “I’ll Survive” e “Caldônia”.

Após tocar “The Thrill is Gone” foi aplaudido por mais de um minuto. Antes de “Ain´t that just like a woman” pediu permissão às mulheres para poder cantá-la (procure a letra para entender o porquê). Em “Rock me Baby” comandou o coro da platéia e em “You are my sunshine” disse que como não estávamos em um país de língua inglesa, quem não soubesse a letra poderia fazer “humm hummm hum hummm”.

Ele sabe ser carismático. Joga palhetas para a fila do gargarejo, posa para fotos, sacode na cadeira, faz caretas, dá autógrafos. Tudo isso, enquanto sua banda faz os viajantes solos. Showtime.

BB King fará falta nos palcos do mundo. Soube perceber a tempo as limitações que vêm junto com a idade e sabiamente anunciou sua despedida com uma turnê mundial.
Disse que continuará tocando, mas sem mais viagens. Apenas em casa, no seu bar.
Um verdadeiro Bluesman, que se “explica” na letra da canção de mesmo nome:

Bluesman (Understand)

I've traveled for miles around
It seems like everybody wanna put me down
Because I'm a blues man
But I'm a good man, understand

I went down to the bus station
Looked up on the wall
My money was too light, people
Couldn't go nowhere at all
I'm a blues man
But a good man, understand

The burdens that I carry are so heavy, you see
It seems like it ain't nobody in this great big world
That would wanna help old B.
But I will be all right, people
Just give me a break
Good things come to those who wait
And I've waited a long time
I'm a blues man but a good man, understand

Só resta dizer: Valeu B! God bless you!



Set List (incompleto e fora de ordem... isto é BLUES!!!)

The Thrill is gone
When love comes to town
Rock me baby
Key to the highway
Ain´t that just like a woman
Bluesman
When the saints go marching in
You are my sunshine
How blue can you get
All over again
Bad case of love

MM tem 29 anos e teve a grande oportunidade de ver BB King pela segunda e talvez última vez... torce com todas as forças para que isso não seja verdade...

*Fonte: http://www.whiplash.net/



NR1 - Como eu já previa no review do show do New Order, o Via Funchal é um péssimo local. E desta vez além dos problemas com a equalização do som (que nem foi tão complicada, pois BB King sempre traz uma equipe completa de produção), houveram seríssimos entraves com os lugares vendidos na platéia. Alguns foram vendidos duas, três vezes, outros lugares simplesmente não existiam. Isto fez com que este que vos escreve tivesse que assistir o show em um camarote. Não, isso não foi bom, porque acreditem, meu lugar original na fila de cadeiras era melhor que o camarote... enfim.