Idéias, devaneios, perguntas, respostas, delírios, divagações. O direito de expressão conquistado e proibido ao mesmo tempo. A vontade de demolir o mundo e depois caminhar sobre a grama às 3 da tarde de uma quarta-feira de Novembro. Os sentimentos contraditórios causados pela visão de uma criança mendigando em um sinal de trânsito e o gosto de um café com pão e manteiga na casa da avó. E lá se vai mais um dia...
domingo, julho 13, 2014
13 de Julho - Dia Mundial do Rock - Repost
( Up The Irons!! )
Aprendi a arranhar violão, depois enveredei pela guitarra e hoje faço uns “batuques” na bateria. Gravei um cd por curtição com uns amigos, montei uma banda, gravei outro cd pra mais curtição e confesso que ultimamente sinto falta de um bom show de Rock. Escrevi reviews de shows que vi, e até de shows imaginários que, infelizmente, não puder ver. Fui influenciado e influenciei um monte de gente.
Só pedi um único autógrafo na vida. Foi para o Marcelo Nova, fundador e eterno líder da banda Camisa-de-Vênus. E mesmo assim, só pelo fato de que nascemos no mesmo dia do mesmo mês em anos diferentes. Em um destes “nosso” aniversário, encontrei com ele em – onde mais? – uma loja de discos. Ah, e também pelo fato de que eu nasci na exata data em que Elvis Presley morreu – contei isso ao Marceleza que escreveu no autógrafo: "Grande Marceleza! Morrem reis e nascem reis! Grande abraço!"
Resolvi fazer um “inventário” de alguns dos shows que vi - algumas bandas por bem mais que uma vez. Nem todos podem ser considerados do Rock, mas com certeza, de alguma maneira, todos foram influenciados ou influenciadores. Meu único arrependimento nesta área é não ter visto Ramones ao Vivo. Foi maus... "One, Two, Three, Four" Forever!!
Fica o refrão de uma musica do Kiss que diz:
“God gave rock and roll to you, gave rock and roll to you
Gave rock and roll to everyone (oh yeah)
God gave rock and roll to you, gave rock and roll to you
Put it in the soul of everyone”
Meu Inventário do Rock:
Nacionais:
angra
arnaldo antunes
barao vermelho
biquini cavadao
cachorro grande
camisa de venus
capital inicial
cassia eller
charlie bronw jr
cidade negra
cpm 22
emerson nogueira
engenheiros do hawai
ira
jota quest
kid abelha
leo jaime
lulu santos
marcelo d2
marcelo nova
nando reis
nenhum de nós
o rappa
os paralamas do sucesso
pafo fu
pitty
planet hemp
plebe rude
raimundos
rita lee
rpm
rumbora
sepultura
skank
titas
ultraje a rigor
velhas virgens
viper
Internacionais:
acdc
agent orange
alice in chains
bad religion
bb king
black sabbath
buddy guy
deep purple
depeche mode
doors 21 century
echo and the bunnyman
evanescence
faith no more
foo fighters
green day
guns n roses
inxs
iron maiden
kiss
l7
lenny kravitz
little richard
live
living colour
metallica
morrissey
new order
nirvana
oasis
offspring
pearl jam
red hot chilli peppers
smashing pumpkins
soul asylum
supergrass
the cult
the cure
the sisters of mercy
tsol
u2
white zombie
Veja o vídeo abaixo e, talvez, perceba...
Sim, eu estava lá!!
segunda-feira, junho 23, 2014
Heeeeey, Eu quero ser seu amigo de novo!!!
Sensacional! Me diverti muito nesse show desses caras. Rock N Roll For Fun total, sem nenhuma pretensão!
E o local então? Circo Voador é "cRássico"!
Saudades de um show desse aqui -> RoseBombom
Com vocês, a última grande banda nacional criada para fazer rock n roll puro (na minha opinião totalmente irrelevante!): Cachorro Grande!!
Hey Amigo
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
De um amigo para desabafar
Noite e dia
Toda hora pela madrugada
Seu amigo de novo
Hey, eu quero ser
Seu amigo de novo
Que a gente sabe demais
Sobre nós dois
Alguém com quem você possa falar
Noite e dia
Toda hora pela madrugada
domingo, maio 11, 2014
Black Sabbath - Aos mestres... A reverência!! (repost)
- I cant fuck hear you! ( colocando as mãos nos ouvidos )
- God bless you all! We love you! ( a cada final de música )
- Go crazy!! C’mon!!! ( no meio de todas as músicas )
![]() |
| O "cara" que escreveu "Paranoid" & "N.I.B." - Fonte:Uol |
![]() |
| Os Mestres. Fonte: Uol |
Normalmente solos de bateria são uma coisa meio chata, mas esse cara veio mostrar serviço. Certas horas dava impressão que tinha mais alguém tocando, não era só ele.
![]() |
| Detalhe dos "dedos postiços" do Tony Iommi. Fonte:Uol |
Marcelo Machado tem 36 anos e trocaria facilmente um rim, um dedo e duas costelas pela habilidade em fazer solos como Tony Iommi faz.
++++++++++++++++++++++++++
domingo, outubro 13, 2013
Black Sabbath - Aos mestres... A reverência!
- I cant fuck hear you! ( colocando as mãos nos ouvidos )
- God bless you all! We love you! ( a cada final de música )
- Go crazy!! C’mon!!! ( no meio de todas as músicas )
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| O "cara" que escreveu "Paranoid" & "N.I.B." - Fonte:Uol |
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| Os Mestres. Fonte: Uol |
Normalmente solos de bateria são uma coisa meio chata, mas esse cara veio mostrar serviço. Certas horas dava impressão que tinha mais alguém tocando, não era só ele.
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| Detalhe dos "dedos postiços" do Tony Iommi. Fonte:Uol |
Marcelo Machado tem 36 anos e trocaria facilmente um rim, um dedo e duas costelas pela habilidade em fazer solos como Tony Iommi faz.
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domingo, outubro 06, 2013
The Last Party - B-52's
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| Crédito Imagem: www.uol.com.br |
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Iron Maiden no Rock in Rio III - 10 anos depois...

quarta-feira, março 24, 2010
BB King - terceira vez!!
Peace of Mind
I've had everything that money can buy,
Oh, but still i'm so unhappy darling, that i could cry
Because i've never had peace of mind, darling, in my life time
When you're in trouble and all down and out,
Then you'll find out, darling, what it's all about
Then you'll realize that peace of mind, darling, is hard to find
I've been everywhere, seen everything but i only have myself to blame,
For not realizing while i was riding high that happiness is something money can't buy
Oh, the things i haven't done, darling, are very few
Yes, i've had trouble baby, and good luck too
Oh, but i've never had peace of mind, darling, in my life time
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Metallica - pós show
Creio que tudo contribuiu. O som estava melhor, mais alto e mais claro. O lugar era maior e a acústica de um estádio de futebol tem seus méritos. Duramente castigada pelas chuvas nos últimos dias, milagrosamente não choveu nesta noite e o Metallica fez a o que lhe era esperado.
Após tentar vender dois ingressos que estavam sobrando, entramos no estádio do Morumbi por volta das 20horas. O Sepultura e o vocalista monstro Dereck já estavam no palco fazendo todo o barulho que tinham direito. Nunca fui fã de Sepultura, gosto de um par de músicas dos caras e só.
O que eu esperava do Metallica? Clássicos, peso nas músicas e pouco espetáculo visual. Me surpreendi na parte do visual. Os caras tinham três telões, dois laterais e um no fundo do palco. E este último era de grande tamanho e definição. Dava pra acompanhar a movimentação dos caras com tranquilidade, até porque a pista estava lotada e a movimentação era bem reduzida. Somente quando uma ou outra roda de headbangers mais afoitos explodia, um espaço aqui e ali aparecia. No geral, o gramado do Morumbi estava completamente tomado.
Os caras começaram o show muito bem, com Creeping Death. Logo em seguida veio For Whom the Bell Tolls e The Four Horsemen. Boa trinca, apesar de eu achar que For Whom... é uma música muito poderosa pra ser gasta assim logo de cara. Mas os caras tinham outras cartas na manga. Não vou falar de cada uma das músicas, tem um monte de reviews no www.whiplash.net, mas não dá pra deixar de comentar que ver os caras tocando "Fade To Black", "One", "Master of Puppets" e "Stone Cold Crazy" é absurdamente bom pra quem gosta de rocknroll. One teve telão em preto e branco, junto com explosões no palco e chamas ao redor. Até "Enter Sadman", que muita gente torce o nariz por ser do disco "comercial" do Metallica, tem um efeito absurdo nas pessoas. Nas suas principais viradadas, essa música teve fogos de artifício saudando o público. 30 mil pessoas cantando um refrão, fazendo tanto barulho que era quase impossível ouvir o próprio James Hetfield.
Aliás, o vocalista do Metallica parecia contente com o que via. Em diversos momentos interagia com o público perguntando se estávamos sentindo a energia da noite. Entrou pro clube daqueles que dizem que as platéias brasileiras são as que mais participam, dedicou música aos brother do Sepultura, etc.
Na última música, "Seek and Destroy" já no bis, James Hetfield perguntou porque as pessoas queriam ouvir aquela música, porque gritavam o nome daquela música. "-Deve ser porque ela é de poucas palavras, uma letra fácil". Seja como for, ele pediu para acenderem as luzes do estádio e então, a banda pode ver o Morumbi lotado cantando cada parte da música. Fim do show, jogaram muitas palhetas, muitas baquetas, cobriram a bateria com a bandeira nacional e cada um foi ao microfone dizer suas palavaras de agradecimento. O baterista Lars Ulrich, fundador da banda e conhecido por não ser de muitas palavras, disse algo como:
"-Prometo que não iremos demorar mais 11 anos pra voltar!!"
A bom rocknroll agradece!
PS. O vocalista James Hetfiled não é a cara do Mano Menezes, técnico do Corinthians????
Abaixo, vídeos amadores
Enter Sadman
Fade to black
Master of Puppets
domingo, setembro 28, 2008
Evanescence
As portas abertas e as dores - 22/04/2007
Sábado, 22 de
abril de 2007, estádio Palestra Itália, SP
originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/
Por MM
Como sofre essa Amy Lee...
A banda esperou, esperou e esperou (até demais) mas finalmente o Evanescence, liderado pela vocalista Amy Lee, aportou em terras brasileiras para um total de quatro shows, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.
Um pouco de história. O embrião do Evanescence surgiu quando em 1994, o guitarrista Ben Moody e a vocalista Amy Lee, com 14 e 13 anos respectivamente, se conheceram em um acampamento para jovens. Ben viu Amy tocando piano e cantando, e depois de um xavequinho qualquer, resolveram que montariam uma banda. Aí aconteceu tudo aquilo que acontece com todas as bandas. Tocaram nuns inferninhos, gravaram demos e o EP de nome “Origin” em 2000 (onde está registrada a música “My Immortal”). Correram atrás até o sucesso chegar junto com o primeiro álbum oficial, “Fallen”, que só foi lançado em 2003. Nesta época a banda contava com Amy Lee, Rocky Gray (bateria), John LeCompt (guitarra), David Hodges (baixo) que ficou pouco tempo e nem saiu em turnê sendo substituído por Willian Boyd e Ben Moody (guitarra). Este álbum vendeu 14 milhões de cópias, rendendo até 2 Grammys à banda.
No final de 2003, Ben Moody cansou da brincadeira e decidiu dar área sem mais nem menos, deixando Amy Lee muito puta da vida, afinal, a banda estava engrenada e perdia o seu principal guitarrista e compositor. Reza a lenda que rolou um aprochego entre os dois, o que deve ter deixado a Amy mais puta ainda. Hoje ela costuma dizer que nunca mais vai trabalhar com o cara (tô de mal). No lugar de Ben, entrou Terry Balsamo.
Aí em julho de 2006, o baixista Willian Boyd também resolveu sair fora, sendo substituído por Tim McCord. Essa formação ficou e segue até hoje.
Vamos ao show
Apesar de muito esperado pelos fãs brasileiras, as apresentações da banda no país não tiveram lotação esgotada em nenhuma cidade*.
Em Porto Alegre, foram somente 8 mil pessoas. Em São Paulo, somente 25 mil do total de 35 mil ingressos foram vendidos.
Desde o dia 9 de abril, alguns fãs mais afoitos acampavam às portas do Parque Antarctica na esperança de ficar mais perto da banda. Rolaram alguns percalços no caminho, inclusive o fato de uma fã ter sofrido um atropelamento na porta do estádio. Coisas...
Duas bandas de abertura, ambas vaiadas nos shows anteriores. Não posso dizer nada delas, pois não cheguei no local a tempo de conferir.
Ao entrar no estádio pude confirmar o que já esperava: O Parque Antarctica estava vazio. O único setor que parecia estar completamente tomado era o das cadeiras cobertas. Pista e arquibancada geral estavam tranqüilas. (Cambistas vendiam ingressos a 60 reais, metade do preço original). Pude ficar a alguns metros do palco, sem empurra-empurra e nem precisei dormir na porta do estádio, mas enfim...
A montagem do palco do Evanescence começou por volta das 20h30. Uma grande cortina preta e branca foi fechada, escondendo alguns detalhes. O curioso aqui é que neste estádio, absolutamente nada pode ser preto e branco... será que a Amy pagou uma multa?
A arquibancada fazia um barulho infernal a qualquer movimentação no palco. Enquanto os instrumentos eram afinados e ligados, o pessoal gritava, cantava, urrava... nem a fraca chuva que insistia em cair desanimava essa galera. Galera composta em sua maior parte por meninas com trajes negros. Algumas acompanhadas do pai ou irmão mais velho.
Exatamente as 20h59, as luzes se apagaram, as cortinas se abriram e a banda iniciou o show com “Sweet Sacrifice”, do recém-lançado “The Open Door”. Seria a primeira das diversas músicas estilo “meu mundo caiu” de Amy Lee. Ela é esperta, sofre por amor como todos, mas ao invés de se trancar no quarto, escreve músicas que são instantaneamente consumidas.
“ Um dia eu esquecerei o seu nome e um doce dia, você estará afogado na minha dor perdida” – trecho de Sweet Sacrifice
O palco não gera grandes impactos. Só um painel atrás do baterista com o símbolo da banda (um grande “E” estilizado) e dois pequenos painéis de cada lado. Há também um telão de cada lado, possibilitando uma visão tranqüila. O som está baixo, e olha que estou a poucos metros das caixas de som.
O show segue, e na terceira música, o primeiro grande hit “Going Under”. A galera, em sua maior parte formada por adolescentes, canta do início ao fim. Amy Lee dá boa noite, agradece a todos e diz que é tudo por causa dos fãs, os fãs que pediram, choraram e gritaram, e por isso eles estão no Brasil. Diz que é uma honra.
“Vou te contar o que tenho feito por você
Já chorei 50 mil lágrimas,
gritando, enganando, e sagrando por você
E, ainda sim, você não me ouve...” - Trecho de Going Under
Durante a semana, os fãs armaram surpresas para o show, uma delas foram as bexigas brancas que apareceram durante a música “Lithium”, o atual som que está sendo tocado nas rádios. Com o piano no centro do palco, Amy Lee parece se surpreender com a manifestação da platéia.
“Venha para a cama, não me faça dormir sozinha
não consegui esconder o vazio que você mostrou
nunca quis que fosse tão frio
apenas não bebeu o suficiente para dizer que me ama” – Trecho de Lithium
Muita gente acha que o Evanescence é uma cópia descarada do Nightwish (que compareceu ao show em algumas camisetas), que a banda não tem atitude, que é um produto fabricado.
Tudo isso pode ser verdade, mas o talento vocal de Amy Lee tem de ser reconhecido. Sua voz é realmente forte e faz frente pesada ás guitarras do resto da banda.
O resto da banda... nenhum dos outros membros do Evanescence se destaca durante o show. Cada um faz a sua parte sem muitas firulas. Não há solos longos, virtuosismo, performances, nada, nada. E os telões do Parque Antarctica contribuem para isso... de vez em quando mostram o baterista Rocky Gray e só. É Amy Lee o tempo todo. E aproveitando, falemos dela.
Um pouquinho acima do peso (Não há nada sexy em pele e osso. você tem de ter alguma carne. – disse ela certa vez), cabelos ora presos ora soltos e com pouca maquiagem emoldurando os belos olhos verdes, ela faz seu show particular balançando os braços, rodando em seu vestido cor de vinho e soltando um ou outro sorriso para as câmeras. Não chega a agitar muito, mas é suficiente para os fãs de verdade. Conversa um pouco e manda muitos “obrigada”.
Antes da execução de “Tourniquet”, ela pergunta quem fala inglês. Obviamente quase todos levantam os braços e gritam dizendo que sim. Ela diz um “Thanks God” e pede que ao contar até 3, todos dêem dois passos atrás, sem explicar porque. E mais uma vez, obviamente, nem todo mundo entende. Ela tenta de novo, e de novo, até que alguns se movem e ela se dá por satisfeita.
Outro momento de explosão da platéia vem em “Call me when you´re sober”, também do disco novo cantada do começo ao fim. A banda insiste em dizer que as suas letras não são necessariamente tristes, mas que mostram um outro lado, que tudo pode começar outra vez. Veja um fragmento de “Call me...” e tire suas conclusões.
“Você nunca me liga quando está sóbrio
Você só quer, porque acabou, acabou
Como eu pude queimar o paraíso?
Como pude? Você nunca foi meu”
Outro grande hit do disco anterior, “Bring me to life” , que na versão original tem duas partes cantadas por Ben Moody. No show, o guitarrista Terry Balsamo não faz questão de participar e só vai ao microfone em alguns momentos.
O show segue, Amy Lee anuncia que irão tocar somente mais algumas músicas. Após “Lacrymosa”, a galera tinha preparado outra surpresa, cantar uma música da banda, mas não houve tempo e nem sincronismo. Amy Lee surgiu ao piano e a introdução de “My Immortal” ecoou nas caixas de som. Desnecessário dizer que os celulares se acenderam e ela quase não precisou cantar. O coro da platéia feminina, presente em todo o show, mostrou ao que veio. Amy Lee entendeu e deixou alguns versos por conta das fãs. No dvd “Anywhere but home” gravado ao vivo em um show em Paris, nas cenas de bastidores durante esta música, os outros
integrantes da banda ficam fazendo graça e imitando os trejeitos de Amy enquanto ela está ao piano tocando e a platéia se descabelando. Os caras tem que se divertir não é?
“Eu não posso mudar quem eu sou
Não desta vez, eu não irei mentir para manter você perto de mim
nesta curta vida, não há tempo pra perder desperdiçando
meu amor não foi o suficiente” – trecho de Lacrymosa
A última música, “Your Star”, também é do último disco. Amy Lee agradece, sai do palco. O guitarrista Terry joga umas palhetas, brinca com a platéia. O baterista Rocky manda umas baquetas e é só. Acabou o show. Tão simples que eu ainda fiquei parado esperando algo acontecer. E então entrou a equipe para desmontar o palco.
The End.
Enfim, acho que foi um show que agradou somente quem realmente é fã da banda (fã perfil Iron Maiden, manjam?). Durante 1h20, eu assisti mas não me empolguei nem um pouco. Talvez eu esteja ficando velho, talvez o Evanescence tenha demorado a vir ao Brasil, talvez as duas coisas. Morno, quase frio. Acho que eu preferia os discos anteriores. Mas ok, eu não tinha nada pra fazer mesmo...
Na saída, caminhando pela avenida Francisco Matarazzo em direção ao estacionamento, sou abordado por um taxista que pergunta: “ O show já acabou?”. Olhei bem pra ele e respondi: “ Pra falar a verdade... acho que nem começou...”.
Ele não deve ter entendido nada...
Set list
1. "Sweet Sacrifice" ("The Open Door")
2. "Weight of the World" ("The Open Door")
3. "Going under" ("Fallen")
4. "The only One" ("The Open Door")
5. "Lithium" ("The Open Door")
6. "Good Enough" ("The Open Door")
7. "Haunted" ("Fallen")
8. "Tourniquet" ("Fallen")
9. "Call me When You´e Sober" ("The Open Door")
10. "Imaginary" ("Fallen")
11. "Bring me to Life" ("Fallen")
12. "Whisper" ("Fallen")
13. "All That I'm Living for" ("The Open Door")
14. "Lacrymosa" ("The Open Door")
15. "My Immortal" (Fallen)
16. "Your Star" (The Open Door)
*Nota da Redação – Este review foi escrito no domingo, 23 a tarde. Quem sabe o público carioca faça um milagre.
MM tem 29 anos e prefere se arrepender das coisas que faz do que daquelas que não faz.
B. B. King
Let the good times roll... The King of the Blues!!!!
Por MM
Antes de tudo, uma apresentação para todos se situarem*
O guitarrista de blues-rock que entraria para a história como B. B. King nasceu Riley B. King, em Itta Bena, vilarejo localizado às margens do delta do rio Mississipi. Nascido no berço do Blues não era de se estranhar que o jovem King se interessasse por música, carreira que era muito mais proveitosa à época do que colher algodão, única alternativa restante. Desde a infância se interessou por blues, country, gospel e jazz.
O responsável por introduzir King no mundo artístico foi seu primo Bukka White, guitarrista de blues profissional em Memphis em meados da década de 40. Em pouco tempo B. B. King se mudaria definitivamente para Memphis, passando a se apresentar nas rádios locais e conquistando uma boa audiência entre os ouvintes negros. Nessas apresentações em rádio (na realidade shows ao vivo transmitidos) ganhou o apelido de Beale Street Blues Boy, mais tarde abreviado para Blues Boy King e finalmente B. B. King.
Em 1949 gravou suas primeiras faixas em vinil. Durante o início dos anos 50 foi produzido por ninguém menos que Sam Philips, até então um produtor medíocre. Em 1951 conseguiu pela primeira vez sucesso nacional nas paradas de r&b com a música Three O'Clock Blues. Aproveitando a boa repercussão montou a banda Beale Streeters (com o vocalista Bobby Bland, o pianista Johnny Ace e o baterista Earl Forest).
Conta a lenda que nesta turnê a sua lendária guitarra Lucille foi batizada. Após arriscar a vida para salvar a guitarra de um incêndio em um bar em Arkansas, King chegou à conclusão que algo tão importante para ele não podia ficar sem um nome. Ao contrário do que se pensa, porém, Lucille não é apenas uma guitarra, mas várias, que ele trata como uma só.
Durante as últimas décadas o estilo de King praticamente não mudou. Foi um dos poucos artistas de blues (senão o único) a conseguir manter-se em evidência durante tantos anos sem tornar seu som comercial. Continua tocando para platéias pequenas, com a mesma paixão de sempre, simpático com os fãs e respeitado por qualquer guitarrista de blues ou rock que se preze.
Ok, agora você sabe de quem vamos falar. Como diz o mestre de cerimônias no show:
“Ladys and Gentleman... The King of The Blues : BB KING!!!!!”
Domingo, 3 de dezembro
de 2006, Via Funchal – São Paulo
Blues... será aquela música de tiozinhos que insistem em tomar whisky quente (caubói) em ambientes enfumaçados, sempre tendo um negão chamado “Charlie” ao piano?
Talvez sim, talvez não. O fato é que os anunciados últimos shows no Brasil da turnê mundial de despedida “The Farewell Tour” tiveram lotação esgotada. Só em SP foram quatro apresentações, sendo uma beneficente e mais três no Via Funchal.
A última, na segunda-feira dia 4, foi marcada de última hora devido à grande procura. BB King tocaria ainda no Rio de Janeiro e em Curitiba.
A apresentação beneficente foi na casa Bourbon Street, reduto de blues em SP que foi inaugurado em 1993, com um show de quem?? Sim, dele, BB King. Alguns lugares foram leiloados e chegaram no valor de pouco mais de 4 mil reais!
Ok, chega de números e vamos ao show:
Com atraso de 40 minutos, entra a banda que começa fazendo um número de blues.
Cada um dos integrantes (metais, baixo, guitarra, teclados e bateria) tem o seu momento de fazer solo. Parece uma jam session. Os integrantes da metaleira ficam passeando pelo palco, sentindo o clima, estalando os dedos. Isto tudo dura por volta de 20 minutos. São de certa forma, regidos pelo “band leader” Bugaloo, o trompetista. Um negrão gordo, metido a dançarino que é uma figura e está na banda há 27 anos.
Até que outro integrante da metaleira, vem ao microfone no centro do palco, diz algumas palavras com um sotaque dificílimo (ao menos para mim) de entender, e chama ele, o rei do Blues.
BB King já passou dos 80 anos. Tem diabetes, a qual já levou sua sensibilidade da ponta dos dedos. Tem dores nas costas e por tudo isso, caminha muito devagar. Sua entrada ao pouco causa uma comoção na platéia de tal forma, que creio que não precisava mais nada. Só o fato deste camarada estar ali presente já é um show. Ele agradece, faz reverência ao público. Se acomoda, recebe sua “Lucille” de seu fiel escudeiro Bugaloo e inicia o show fazendo algo que muitos não gostam: falando muito. Pede desculpas pelo idioma, diz que não está bem das costas, dos joelhos e nem da cabeça, por isso vai tocar sentado.
Daqui pra frente, temos aproximadamente uma hora e meia de um verdadeiro show. BB King conversa muito, muito mesmo. Ao final de cada música, sempre agradece. Diz um “obrigado” carregado, lembrando que essa é a única palavra que aprendeu no nosso idioma, mas que ainda diz com um sotaque de Mississipi. Toca sua guitarra de forma econômica, ligando e desligando várias vezes, dando a oportunidade de todos na banda fazerem seus solos e brilharem juntos. Coisa de quem sabe que não precisa provar nada para ninguém.
Na apresentação da metaleira, cada um dos integrantes, na sua vez, dança no palco divertindo muito a platéia. Ao apresentar o guitarrista, BB King chama-o de “young man” causando uma reação engraçadíssima no resto da banda. Todos gritam, fazem protestos, jogam toalhas no chão e tal. BB King olha para a platéia com ar de “como esses caras são chatos” e diz que comparado a ele mesmo, todos na banda são garotos.
Um momento marcante nos seus shows: Após apresentar a banda, empunha sua Gibson
no alto, dá um beijo carinhoso nela e diz: Esta é Lucille, minha guitarra! Alguns aplaudem de pé...
Diz que tem 81 anos de idade, 60 de carreira, e que as pessoas se surpreendem ao saberem a sua idade. Comenta que está bem devido aos bons médicos que o acompanham, o Dr Viagra, a Dra. Cialis e o Dr. Levitra. Espera as risadas da platéia e fala que quando nós chegarmos aos 80 anos, também precisaremos consultar esses doutores.
Mesmo falando muito, é constantemente interrompido pelos aplausos da platéia. Ao final de cada frase, é muito saudado por todos os presentes.
Sua conhecida faceta de galanteador tem grande participação no show. Diz que as mulheres são a inspiração de Deus na Terra. Que todas são bonitas, e algumas são lindas. Brinca com alguns casais na platéia, diz para os homens fazerem aquela cara de “cachorrinho perdido na chuva” cantarem e dedicarem a canção “I’m Sorry” somente a elas.
O repertório do show é diversificado, com canções ditas mais novas, misturadas a versões diferenciadas de antigos sucessos, como a versão acelerada de “Bad Case of Love”. Eu senti falta de “I’ll Survive” e “Caldônia”.
Após tocar “The Thrill is Gone” foi aplaudido por mais de um minuto. Antes de “Ain´t that just like a woman” pediu permissão às mulheres para poder cantá-la (procure a letra para entender o porquê). Em “Rock me Baby” comandou o coro da platéia e em “You are my sunshine” disse que como não estávamos em um país de língua inglesa, quem não soubesse a letra poderia fazer “humm hummm hum hummm”.
Ele sabe ser carismático. Joga palhetas para a fila do gargarejo, posa para fotos, sacode na cadeira, faz caretas, dá autógrafos. Tudo isso, enquanto sua banda faz os viajantes solos. Showtime.
BB King fará falta nos palcos do mundo. Soube perceber a tempo as limitações que vêm junto com a idade e sabiamente anunciou sua despedida com uma turnê mundial.
Disse que continuará tocando, mas sem mais viagens. Apenas em casa, no seu bar.
Um verdadeiro Bluesman, que se “explica” na letra da canção de mesmo nome:
Bluesman (Understand)
I've traveled for miles around
It seems like everybody wanna put me down
Because I'm a blues man
But I'm a good man, understand
I went down to the bus station
Looked up on the wall
My money was too light, people
Couldn't go nowhere at all
I'm a blues man
But a good man, understand
The burdens that I carry are so heavy, you see
It seems like it ain't nobody in this great big world
That would wanna help old B.
But I will be all right, people
Just give me a break
Good things come to those who wait
And I've waited a long time
I'm a blues man but a good man, understand
Só resta dizer: Valeu B! God bless you!
Set List (incompleto e fora de ordem... isto é BLUES!!!)
The Thrill is gone
When love comes to town
Rock me baby
Key to the highway
Ain´t that just like a woman
Bluesman
When the saints go marching in
You are my sunshine
How blue can you get
All over again
Bad case of love
*Fonte: http://www.whiplash.net/
NR1 - Como eu já previa no review do show do New Order, o Via Funchal é um péssimo local. E desta vez além dos problemas com a equalização do som (que nem foi tão complicada, pois BB King sempre traz uma equipe completa de produção), houveram seríssimos entraves com os lugares vendidos na platéia. Alguns foram vendidos duas, três vezes, outros lugares simplesmente não existiam. Isto fez com que este que vos escreve tivesse que assistir o show em um camarote. Não, isso não foi bom, porque acreditem, meu lugar original na fila de cadeiras era melhor que o camarote... enfim.





