domingo, setembro 28, 2008

Roberto Carlos

São Paulo - Credicard Hall - 10/11/2006


originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/




Muitas, muitas emoções


por MM & Ricardo Bunnyman


Se você conhece o Bunnyman (dono do site), eu (colaborador do site), ou acompanha este site há algum tempo, deve estar se perguntando: “Que raios esses caras estão agora escrevendo sobre show do Roberto Carlos??????”


Bom, antes de tudo, eu sempre disse que algumas coisas têm que ser feitas nesta vida. Não vou estender a lista aqui, mas com certeza, ver um show do Roberto Carlos está incluso. Claro, isso se você gosta de música e independente de qual é o seu estilo preferido. Com certeza esse cara deve ter influenciado alguma banda, artista ou som que você gosta hoje. Isso é inevitável.

Para aqueles mais novos, para aqueles que já responderam “Maconha” quando o Skank diz “É proibido fumar!”, ou para aqueles que cantaram “É preciso saber viver” junto com o Titãs ou, mais recentemente, quem gostou e pulou ao som de “Além do Horizonte” com o Jota Quest. Pois bem crianças, são todas músicas do Rei.


Eu, Bunnyman e sua respectiva noiva, Andrea, acompanhados de nossos pais (belo álibi para ver um show do Rei, não?) nos dirigimos ao Credicard Hall. Tínhamos a impressão que seria um inferno para conseguir chegar e estacionar, já que em um show deste tipo de público, não tem papai-me-leva-deixa-na-porta-e-me-pega-depois-do-show e nem-vamos-de-ônibus-mesmo.

Erramos. Acho que nunca foi tão simples chegar e estacionar em um local de show em toda a mnha vida!

Uma profusão de senhoras bem vestidas (outras nem tanto), maquiadas, tiozinhos, vovós, vovôs, cabeças brancas. Sem precisar ser revistado na porta, seguranças e funcionários da casa extremamente pacientes para indicar o assento correto e ajudar as vovós a subirem as escadas. Realmente, é um show para os súditos da realeza.

Marcado para as 22 horas, o show só começa às 22h38h. Sobem as cortinas do palco e o coral e banda (acho melhor dizer orquestra) do Rei iniciam com um medley de músicas. Mais tarde, o próprio Rei informaria que o nome da orquestra é RC9, apesar de às vezes contar com mais de 50 integrantes dependendo do show. Duas guitarras, baixo, bateria, órgão, piano, metaleira e percursão, além de três pessoas no coral e um maestro.

A banda (ops, a orquestra) está disposta no palco de uma maneira em que é praticamente impossível ver seus rostos. E a iluminação contribui muito para isso. A cor azul predomina nas vestes e nas luzes. O locutor anuncia: “Senhoras e Senhores, com vocês... Roberto Carlos e Orquestra”. Eis que surge Sua Majestade. Terno azul (óbvio) camisa e sapatos brancos (mais óbvio ainda) e um cinto com uma fivela de impor respeito a qualquer caubói. A banda está
executando os acordes de “Emoções”. Parte da platéia está meio embasbacada e a outra parte grita absurdamente. A banda dá a deixa, o Rei dá uma suspirada ao microfone – eu nunca vi uma suspirada causar tanto furor em uma platéia – e solta:“Quando eu estou aqui... vivendo este momento lindo...”


Amigos, eu me sentia dentro de um especial da Rede Globo no dia 25 de dezembro.
Desde que eu me conheço por gente, todo show do Roberto Carlos que passa na tv começa com Emoções, termina com Jesus Cristo e as indefectíveis rosas sendo jogadas a platéia. Sim, eu já sei que vou ver isso de novo. Mas definitivamente, ver isso ao vivo... he he he... são muitas emoções, bicho (trocadilho inevitável quando se fala de Roberto Carlos).

Ao final da música de abertura, as primeiras palavras de Sua Majestade. Boa noite, agradecendo por estarmos ali, pelo carinho, por esse amor, por tudo de bom que temos lhe proporcionado durante todos esses anos Agradece ao patrocinador também e diz que poderia dizer muito mais, mas que prefere continuar cantando. Pausa dramática e... “Eu tenho tanto... pra lhe falar... mas com palavras, não sei dizer... como é grande...”

Claro, não preciso dizer o que introduções como essas, somadas à voz grave amplificada no microfone causam na platéia. Uma senhora atrás de mim está literalmente tendo um orgasmo. E olha que é somente a segunda música.

Próxima música, “Além do horizonte”.

Em algum lugar eu li uma declaração onde ele disse não ser um bom instrumentista. As luzes se apagam e acendem revelando-o com um violão no colo. Sim, o Rei não é um bom instrumentista. Mas quem se importa com isso, quando a música que vem é “Detalhes”.

Músicas: “Não quero ver você triste”, “Eu estou apaixonado por você”

E então o Rei inicia um medley com músicas da Jovem Guarda, “Aquele beijo que eu te dei, Splish Splash”, “Negro Gato”. Aqui ele diz que “não lembra muito bem da letra dessas canções, o que significa que a terapia está funcionando”. Em “O Cadilac” percebe-se uma movimentação diferente do lado direito do palco. As luzes se apagam, pausa dramática e ao acender novamente, um enorme cadilac inflável, vermelho cintilante, como diz a música, aparece do nada atrás do Rei, que puxa a manga do paletó e dá uma pequena polida na porta. Efeito simples e bem sacado.

Luzes apagadas de novo ( os cenógrafos trabalham muito neste show ). O piano branco que estava do lado direito do palco, agora se encontra no centro com o Rei sentado ao banquinho. O telão desce e exibe a letra da música “Acróstico”. O nome é feio, mas o significado é belo. Trata-se de escrever um texto em que as primeiras letras de cada linha lidas na vertical, formam uma outra palavra. Bem, melhor que explicar é demonstrar:


M ais que a minha própria vida

A lém do que eu sonhei pra mim

R aio de luz

I nspiração

A mor você é assim



R ima dos versos que eu canto

I menso amor que eu falo tanto

T udo pra mim

A mo você assim



M eu coração

E ternamente

U m dia eu te entreguei



A mo você

M ais do que tudo eu sei

O sol

R aiou pra mim quando eu te encontrei



“Arrasou!!!” – grita uma menina na platéia.


Índia, outra música re-gravada constantemente por outros artistas.

O Rei volta a falar com a platéia, comenta que as músicas naquele tempo, no tempo da jovem guarda, eram todas ingênuas. Diz que eles não, mas as músicas eram muito ingênuas. E que ninguém precisa dizer a ele, que ele sabe, que “isso faz muuuuito tempo bicho... bota tempo nisso”. Fala também que era necessário que alguém desse o primeiro passo, falasse as coisas que tinha que ser faladas, pelo menos as que ele achava que tinha que falar, que colocasse mais sensualidade no ar. E aí surgiu: “Eu te proponho...”


Além de:

No seu corpo
Os seus botòes
Café da manhã
Música suave

Nesta música, uma das coristas vem até o Rei para alguns passos de dança de “rosto coladinho”. A senhora que estava atrás de mim deve ter morrido...

Hora de apresentar os seguidores. O Rei apresenta a orquestra, um por um, fazendo brincadeiras com idade, falta de cabelos e corpos roliços. Claro, só resguardando as moças do coral. Deve ter levado uns 10 minutos para apresentar a banda toda.

E então vem “Cavalgada”. Reza a lenda que esta música foi difícil de ser executada ao vivo e na mídia devido a ter trechos considerados pornográficos e extremamente eróticos em sua letra. Veja um fragmento e tire suas conclusões:


“Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida


Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque”

Hora de “É preciso saber viver”, onde no começo o Rei erra, recomeça e diz:
“Quem espera que a vida... seja feita de ilusão... Tá ferrado bicho! Tá mesmo”

Outra parte da letra trocada é:
“Se o bem e o bem existe... você pode escolher...”, onde o original era: “Se o bem e o mal existe... você pode escolher...”


Além de sofrer de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, ser extremamente apaixonado pela sua finada mulher Maria Rita, se vestir sempre de azul e branco, o Rei também tem outra mania perceptível. Aboliu completamente do seu atual repertório toda e qualquer música que tenham palavras como “inferno”, “mal” e coisas do tipo. Só canta as músicas, ditas do bem. Em casa, temos boa parte dos discos do Roberto Carlos das antigas, do tempo em que ele não fazia música para mulheres de 40, que usam óculos ou caminhoneiros. Do tempo em que ele mandava tudo para o inferno e dizia ser terrível.

Eu sinceramente gosto de escutar estes discos de vez em quando e relembrar meados da década de 80 (sempre ela) onde todos os domingos, de maneira religiosa, minha mãe escutava o programa da Rádio América, que tocava por volta de 3 horas de músicas de Roberto Carlos. Foi aí que eu defini o termo “cultura implantada”, que significa ouvir / ver tanto uma determinada coisa, que acaba grudando em seu subconsciente. Isso explica porque eu sei tantas letras do Rei de cor.

Antes de “É preciso saber viver” terminar, o pessoal que estava em mesas mais próximas ao palco, já tinha se levantado e chegado na grade de segurança para ficar mais perto do Rei. Sinal de que o show está no final.

Começam os acordes de “Jesus Cristo” e o Rei começa a bater palmas daquela maneira peculiar, deixando os braços caírem paralelos ao corpo após cada batida. Senhoras tiram os sapatos, sobem nas cadeiras, vestem camisas com a estampa da foto do Rei por cima dos vestidos, usam faixas na cabeça, onde se lê “Rei”.

O Rei agradece à todos, a orquestra, ao público. O maestro auxilia o Rei pegando os ramos de rosas brancas e vermelhas e entregando-os à majestade, que vai de ponta a ponta no palco, beijando e ora arremessando ora entregando as flores nas mãos das afoitas fãs. Em troca recebe ursinhos, embrulhos, flores, quadros e toda sorte possível de presentes, que abraça, cheira, olha, balança e brinca. Contei no relógio, foram 23 minutos com o coral cantando “Jesus Cristo eu estou aqui...”.

O Rei vai até o meio do palco, se despede, manda beijos. Sai de cena. A banda encerra a música, a platéia grita “Volta!! Volta!!!”. Mas Sua Majestade não volta. Nos telões do Credicard Hall, a imagem do Rei de braços abertos, cabelos compridos, mullets, vestido de azul e branco. Tal qual um especial de Natal da Tv Globo... mas não há como negar e evitar o trocadilho de sempre: Ver um show do Rei... muitas emoções, bicho...



Setlist

Emoções
Como é grande o meu amor por você
Além do Horizonte
Detalhes
Não quero ver você triste
Eu estou apaixonado por você
Aquele beijo que eu te dei
Splish Splash
Negro Gato
O Cadilac
Acróstico
Índia
Proposta
Seu corpo
Os seus botões
Café da manhã
Música suave
esqueci de anotar o nome dessa
... essa também
Cavalgada
É preciso saber viver
Jesus Cristo

MM tem 29 anos, não acredita na monarquia, mas ficou surpreso por perceber que sabe de cor a letra de tantas músicas do Rei.



O que dizer depois de tantas emoções?

Devido ao teor do site, todos sabem dos nossos gostos. O que predomina nos cdplayers e qual bandeira levantamos. Mas de algum tempo para cá, a abertura músical se tornou quase que obrigatória. A mente se abre e conseguimos encontrar prazer ao ouvir Fields of Nephilim ou The Cure da mesma forma que ouvimos Roberto Carlos, Sinatra ou Tom Jobim.

Essa abertura nos deu a honra de participar de um evento que eu acredito ser importante para quem gosta de música. Entendo por música tudo aquilo que toca ou não no rádio. Do brega ao metal. Do Gótico à Dance Music. Sem rótulos, por favor.


O Grande Rei Betão, não tem necessidade de trabalhar mais com música. A própria presença do homem no palco é suficiente para que muitos (as) estejam com o dia ganho.


Me espantei com sua simplicidade e atenção com todos tanto no palco quanto naplatéia. Um figura de carisma sobrenatural e de sentimentos simples e sinceros que são, nitidamente, expostos durante o evento.

Como o Tchello disse, existem histórias da infância na qual RC esteve presente.
No meu caso, meu pai nasceu na mesma cidade e foi contemporâneo do cara. Isso ajudou muito no descobrimento da carreira daquele que é considerado O Rei.

Fica registrado para essa geração e para as futuras que nunca na história da música nacional, existirirá algum músico tão completo como o Rei Roberto Carlos.


Off: Na fila do refrigerante, uma mulher muito bem vestida, porém extremamente dondoca estava com seu Chandon em punho quando, subtamente, expele uma babada típica daquele que engasgou com a sopa. Segurando a gargalhada e mantendo a formalidade do local, continuo olhando de canto de olho preparado para o chilique. Olha... a mulher nem se abalou. Fingiu que não foi com ela, a amiga fingiu que não viu e nenhuma ação foi tomada. Nem mesmo de se secar. A gargalhada teve que esperar.

Ricardo Bunnyman também gosta de Morrissey, Echo and The Bunnymen, Sisters of Mercy, Cure, Joy Division e de Roberto Carlos mas evita sua fase anos 80. Gosto o Julio Iglesias e do
Frank Sinatra também. E daí? Vai encarar?









THE SISTERS
OF MERCY

Adrenochome!


E se passaram 16 anos.


16 anos atrás Tchello, Chris, Dubão e Ricardo não tinham idade para ficar depois das 22:00hs fora de casa. Mas ficavamos.
Isso não quer dizer que podiamos ir à um show.



Esse tempo passou. Cabelos cairam, barrigas cresceram, casamento, filhos, etc. E Andrew Eldritch vinha mais uma vez ao Brasil. Careca.



Conseguimos comprar os ingressos antes do show do Echo & The Bunnymen. Era um dos momentos mais importantes do rock internacional em terras tupiniquins. E quem diria, o show se daria na semana dos ataques do PCC em São Paulo. A preocupação era grande pois o caos do último final de semana ainda estava fresco em nossas mentes.



Como quase todo show, saimos com no máximo 30 minutos de antecedência. Era uma das maiores bandas do mundo, mas não era nenhuma Britney Spears para provocar algum tumulto. Realmente, não houve tumulto, apenas uma legião com vestes negras em uma fila que se estendia até a parte de trás do Via Funchal.


Por incrível que pareça, considerando o tamanho da fila, não demoramos muito para entrar. Encontramos o Fábio, um amigo que é fanático por Morrissey e é claro que esse encontro lhe poupou um pouco de lugares na fila.

Além do Chris que já estava dentro do Via Funchal desde às 20:00hs, tinha outra fanática, Veridiana estava no meio da multidão. O Sisters havia esgotado os ingressos e aquilo estava coberto por góticos e seus simpatizantes.

Quase dentro da casa, um promoter oferece um carimbo para ganhar um Martini grátis. Rapidamente, carimbamos nossas mãos e sem muita burocracia, entramos. Já passava das 22:00hs., mas o show ainda não tinha começado.


Para desespero do Dubão, aquele carimbo era apenas uma comprovação de que o portador era maior de idade. Furioso, Dubão disse: "Como é que pode ser verdade uma porra dessa? Me explica essa porra! Então não vou beber merda nenhuma". Mas depois ele bebeu. Ah, se bebeu...

Avistamos o Chris no camarote. Ele estava na borda e bem no centro. Uma visão perfeita.

Marcelo ainda encontra uma ex-colega de trabalho. Nunca trombamos com tantos conhecidos em um show.

Uns 10 ou 15 minutos depois da nossa entrada, as luzes se apagam e com o palco tomado pela fumaça, o show se inicia com "Crash and Burn". Já tinha ouvido mas era estranho ouvir Sisters sem baixo. O som era alucinante.


Uma das preferencias da casa, "Ribbons" tem uma força descomunal e foi seguida de mais três do álbum Vision Thing, "Doctor Jeep", a quase irreconhecível "Detonation Boulevard" e a pesada "When You Don't See Me".

Mesmo Andrew dizendo que nunca foi gótico, uma das provas do motivo do rótulo para a banda vem com "Flood I" do ábum Floodland e "Giving Ground" do EP Gift. "Summer" vem logo depois como novidade para muita gente.


Existem algumas causas para a maioria das pessoas não conhecerem algumas músicas. A banda gravou seu último álbum (Vision Thing) em 1990 e uma coletânea em 1992 com duas novas canções "Under The Gun" e uma nova versão para "Temple Of Love". Após isso, lançaram um projeto chamado SSV. Uma raridade que não condiz muito com o estilo Sisters de ser.
Depois disso, a banda continuou compondo, mas as músicas são lançadas apenas em shows.


Mesmo com o excesso de guitarras, "Dominion" é inconfundivel e a primeira grande explosão da platéia ocorre nesse momento. "Dominion" é de uma fase que o vocalista Andrew Eldritch tomou as rédeas da banda e os demais componentes formaram o Mission. O álbum Floodland é um tapa na cara de quem dizia que Andrew havia acabado com a alma do Sisters.


Sinto falta da Patricia Morrison no baixo...


Mais novas músicas são lançadas ao ar: "Slept" e a minha preferida da nova safra "Still". Talvez fosse proposital a execução de uma das mais velhas composições da banda, o hino "Alice" nos leva ao início da Era Dark juntamente com "Anaconda".


"Romeo Down" prepara terreno para a gótica e sussurrada "Never Land".


"We Are The Same, Susanne" espanta por ser tão parecida com a versão "original". Em todas as músicas, os caras tocaram de forma diferente. Mas, quem quiser ouvir tudo certinho, que ouça os discos.

"Will I Dream" precede a segunda explosão. "This Corrosion" inflama o Via Funchal e não existe ninguém parado.

Todas as músicas foram tocadas uma atrás da outra, quase sem intervalo. Aqui se encerra a primeira parte do show e logo entra o bis com a balada "Something Fast". A distorção lembra os irmãos Reid do Jesus & Mary Chain.

Incrível o quanto é bom ouvir as músicas do Floodland. "Lucretia" é responsável pela terceira explosão do público.

O primeiro bis se vai e logo vem o segungo com a nova "Top Night Out" e os caras
mandam o hino máximo dos Sisters: "Temple Of Love" causa a quarta e última explosão da platéia, fechando o show com um verdadeiro "Gran Finale".

Eldritch se empolgou e em alguns momentos percebe-se que tocou quitarra e diferente do que disseram por aí, não houve playback em nenhum momento.

Foi um show em que as palavras de Eldritch resumiram-se em uma frase "This is my favourite place on the planet", enquanto do som do Sisters Of Mercy mostrou que as Irmãs ainda fazem suas caridades para nós pobres mortais.


Ricardo Bunnyman tem 29 anos e acredita que existem heróis no mundo do Rock, mas sabe que existem aqueles que além de heróis, se tornam lendas.




Meu amigo-de-fé-irmão-camarada Bunnyman já disse aí em cima tudo sobre o show do Sisters. Eu faço algumas observações no geral:

Público – Eu já fui em show pra caramba. Não perco a oportunidade de detonar minhas costas e minhas garganta pulando e berrando em uma apresentação ao vivo, mas o do Sisters me surpreendeu, entre outras, pela quantidade de pessoas. Nunca imaginaria fila dobrando o quarteirão para ver uma banda que não lança nada de novo há anos...

Palco - Fumaça, sim havia muita fumaça... a impressão que se tinha é que perto do palco, podia-se cortá-la com a mão, tal a “densidade”. E o mais estranho, palco tinha uma estrutura montada parecida com, juro, andaimes de construção.... vai entender...

Telão - Pra quê?? A produção do show abriu mão da utilização dos telões, talvez com medo de que algum operador mal intencionado fizesse com que no dia seguinte o show estivesse sendo vendido a “deiz real” nos camelôs da cidade e na galeria do Rock.

A banda – Cansei de ver gente reclamando antes e depois do show na mídia eletrônica (email, orkut e afins) sobre a banda, o set list, a falta dessa ou daquela música. Cara, quem conhece a banda, já saiu dos anos 80 (infelizmente) e lê um pouquinho sabe que o Sisters não faria nada diferente do que foi feito. O Show foi bom sim! Faltaram clássicos?? Ah vá?? Não me diga!!! O Palco estava muito escuro e com fumaça?? Catzo, é o Sisters, não o Calypso! Andrew não falou nada?? Humpf... sabia que esse cara foi um adolescente daqueles que se trancam no quarto ?? Pois é... Eu acho que o Show foi bom, claro, sempre pode ser melhor, mas foi bem bom.

O Som – Considero o Via Funchal, uma das casas de shows em SP que tem o pior som... Então, nada mais a declarar.


Eu e “meus trutas” – Sim, ver Sisters Of Mercy ao lado de meus amigos-de-fé-irmãos-camaradas Dubão e Bunnyman não tem preço mesmo. Quantos “bodes” ao som de Sisters, quantas vezes em Gaivotas, balneário próximo a Peruíbe, ficávamos eu e Bunnyman “pescando otários” na porta da casa ouvindo “Lucretia”, “Dominion”(praia?? Pra quê?). Nesse show, pulamos e cantamos (berramos) de verdade. “Alice” (por sinal, nome da mãe-zaça do Bunnyman, e a música que o Dubão mais queria ouvir... Fizemos aquela coisa ridícula de se abraçar em pular em círculos... Cara, Ducaralho!!! Valeu Andrew!!!

Ah claro, não posso me esquecer do Mano Chris, que estava no camarote, e nos acompanhou lá de cima, fazendo reverência a banda que serviu como ponte de nossa amizade... afinal, naqueles tempos lá no colégio Radial, só eu, ele e a Die* sabíamos o quer era Sisters Of Mercy.

*Die – a pessoa que mais devia estar neste show. Die, eu e Bunnyman sentimos sua falta pra caramba lá. Lembramos que você falou comigo pela primeira vez, por causa da ponta da estrela do Sisters que estava aparecendo na camisa que eu usava por baixo em um desses dias no colégio Radial... Que encontramos com você no Hollywood Rock lotadaço no dia do show do Cure! Mas não esquenta, outras shows virão...


MM tem 28 anos e considera que musicalmente falando, já pode morrer. Já viu todas as bandas (das que estão em atividade) que queria ver. O Sisters Of Mercy era a última. O quer vier daqui pra frente é lucro...


Setlist


U2

20th February 2006 São Paulo - Morumbi Stadium

Support Act: Franz Ferdinand



orignalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/




Um, dos, tres, catorce!!!! Pra você também!

por MM


Sim, nós (eu e Bunnyman) estávamos lá, acompanhados de mais alguns amigos.

E cadê a resenha? Vocês devem estar se perguntando...

Tudo o que tinha que ser falado sobre o U2 no Brasil, foi mais que falado. Foi saturado, em todos os canais, revistas, jornais. Você com certeza leu. Até pensamos em fazer algo diferente, um podcast, por exemplo. Não rolou...

Bom, uma coisa a dizer: O U2 é o U2 e ninguém discute isso... mas começar o show com "The City on Blinding Lights" quando se tem um "levanta defunto" como "Vertigo" no cd... Deixa pra lá.


Show do Ano??

19 de maio de 2006... São Paulo... Noite escura, fria, neblina... atmosfera perfeita.. aguarde...




MM tem 28 anos, gosta pra cacete de U2, mas já viu os caras duas vezes... e há mais de 16 anos espera uma certa banda tocar por aqui... a espera acabou!!!



I say don't you know, You say you don't know, Nóis say you don't know... Take me in!

por Ricardo Bunnyman


Francisco Fernando - Uma banda com cara de Joy Division e som nada igual ao Joy Division.

Talvez, algumas músicas lembrem um pouco o Joy se forçarmos a imaginação.

No primeiro dia, só se ouvia um instrumento por vez. No dia 21, estava melhor.
É muito fácil acontecer esse tipo de coisa com banda de abertura.

Os caras tem uns sons legaizinhos...

Antes do show, o pessoal da produção deixa rolando vários sons. Gostei muito quando tocou Talking Heads. Mas foi só.

E as Holas intermináveis no estádio! Não foi dia de jogo, mas a torcida foi show de bola. Não me recordo de nenhum problema com baderneiros.

O U2? Ah, U2 é do carvalho! Um espetáculo! Assim como os mulçumanos devem ir à Meca pelo menos uma vez na vida, toda pessoa que gosta de música deve ver um show do U2. Mas prefiro aquela banda de Liverpool que se apresentará no Rio, SP e Curitiba entre 28 e 30 de abril.

Não os Beatles não ressucitaram.

E tem aqueles caras de Leeds que o Marcelo falou mais acima. Ingresso pela metade do valor do U2, prazer quadruplicado e o fim de anos de espera.

A última vez que eu e o Marcelo fomos em um show (de verdade) foi a 10 anos no Hollywood Rock, no inesquecível show do Cure. Tocaram naquela noite também o White Zombie (muito lôco), Pato Fu (no início da carreira) e Smashing Pumpkins (um ícone).

Foi bom nos "reencontrarmos" em um show tão grande.

É só aguardar...


I say you will go
You say you will go
Nóis say nóis will go
Take nóis IN!!!





Ricardo Bunnyman com 29 anos espera que não demore tanto para que grandes bandas retornem ao Brasil.








Setlist
City of Blinding Lights
Vertigo
Elevation
Until The End of The World
New Year's Day
I Still Haven't Found
Beautiful Day
Stuck In A Moment You Can't Get Out Of
Sometimes You Can't Make on Your Own
Love and Peace Or Else
Sunday Bloody Sunday
Bullet The Blue Sky
Miss Sarajevo
Pride (In The Name Of Love)
Where The Streets Have No Name
One


Bis 1
Zoo Station
The Fly
Misterious Ways
With Or Without You


Bis 2
All Because of You
Original of The Species
40












A Cachorrada no Rose BomBom!

por MM em 15/12/2005 - Rose BomBom
originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/


Como definir Rock' n' Roll? Tarefa ingrata e praticamente impossível. O Rock tem estilos, atitudes, bandeiras, ideais, tudo isso numa variedade absurda. Duas pessoas que curtem rock podem ter opiniões diferentes sobre a mesma banda, o mesmo estilo. É praticamente impossível rotular isso além de simplesmente “Rock” que vai da viagem do Pink Floyd ao “One, Two, Three, Four” dos Ramones...



Quinta-feira, 15 de dezembro – Casa Rose BomBom em SP. Show da banda Cachorro Grande com abertura dos Rock Rockets.
O Rose BomBom é uma casa que nasceu na década de 80, fechou por um tempo e agora volta a ativa ali na região da Vila Madalena (SP), área que tem muitos barzinhos no estilo Rock' n' Roll. A programação é variada, indo da Black Music ao punk. Nas quintas-feiras, o bom é a noite CBGB – nome da histórica casa de shows de Nova York que foi o berço do punk rock.

Cheguei na casa por volta de 1:40 da manhã. Dizem que o Rock Rockets é um trio paulistano que dizem fazer um bom som, mas desta vez eu não estava lá para assisti-los, numa próxima, talvez. Sendo assim, cheguei quando davam seus últimos acordes.

Não cheguei a frequentar o antigo Rose BomBom, mas posso dizer que o novo é um ótimo lugar para que gosta de Rock' n' Roll e conhece um pouco mais do que rola nas rádios. Em qual outro lugar você ouve The Who, Animals, Nirvana com “Territorial Pissings”, Pistols ou Iron Maiden com Paul D’iano fazendo “Running Free”? (essa é a diversidade da qual falava lá no primeiro parágrafo) Lugar relativamente pequeno, bom pra shows de rock, som absurdamente alto mas equalizado.

O público é predominantemente voltado ao rock. Coturnos, cabeleiras, metal, tachinhas e preto, muito preto. Mas havia também um número considerável de “covers” dos caras do Good Charlotte ou Simple Plan... Dava para montar umas cinco bandas dessas com o visual de alguns presentes.

Montagem de instrumentos ok, 2:05hs da manhã, a cachorrada entra no palco. Desde que vi o clipe de “Lunático” na MTv numa noite dessas, fiquei curioso e busquei conhecer um pouco da Cachorro Grande. Em resumo, a banda foi formada no final de 99 em Porto Alegre. Aquele lance da galera que já tem uma banda, que vive se trombando nos shows locais e descobre que tem o mesmo gosto musical, a mesma pegada e a mesma vontade. Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Gabriel Azambuja (bateria), Pedro Pelotas (piano) e o novo baixistas Rodolfo Krieger, que substituiu Jeronimo Bocudo. Os caras tem três discos lançados, Cachorro Grande, As Próximas Horas Serão Muito Boas (ambos de 2004) e o último, Pista Livre de 2005 que jogou luz sobre a banda e rendeu até um acústico MTv, dividido com outras 3 bandas gaúchas (Ultramen, Wander Wildner, Bidê ou Balde).

A banda dá uma aquecida com um som que me lembra Foxy Lady do Hendrix e já ataca com “Você Não Sabe o Que Perdeu”, “Agora eu Tô Bem Louco” e “Hey Amigo”. Beto Bruno dá boa noite geral e anuncia “Desentoa” (com direto a erro na letra) que tem clipe rolando na tv. Por mais que se falem mal de bandas novas, “hypes”, do momento ou afins, é preciso reconhecer que o som da Cachorro Grande remete à falta de compromisso e à diversão. Tem banda de rock que tem diversos objetivos, criar estilo, ganhar grana, levantar uma bandeira contra o “sistema” (nada contra), etc. Mas os Cachorros dão a nítida impressão que só querem se divertir. Parece que eles fazem um show como se eles mesmos estivessem assistindo da platéia. Não quero dizer com isso que os caras são metidos ou coisa do tipo, mas simplesmente procuram aquele lance de “tocar umas músicas, tomar umas cervejas, zuar um pouco e dar risada com os amigos”.

O público presente cantou em uníssono as quatro músicas de abertura e ainda cantaria as outras que viriam, do primeiro e segundo disco. Prova de que os caras já tem alguns fãs de verdade.
O guitarrista Marcelo Gross cantou “Dia Perfeito”. No acústico Mtv, tiveram a participação do Paulo Miklos nessa música e o cara estava lá no RoseBom Bom. Durante os solos de “Vai T.Q. Dá”, o cara surge do backstage com uma bandeja de sanduíches e começa a jogar para a galera. Mas Miklos ainda teria a sua segunda aparição no show ainda mais desconcertante que a primeira.

Beto Bruno é aquele vocal esganiçado (primeira parte da equação Cachorro Grande), que não tá nem aí para falsetes, oitavas ou coisas do tipo. O cara berra ao microfone de um jeito que parece que vai arrebentar as cordas vocais. Sabe John Lennon em “Twisted and Shout”?? Pois é, daí pra cima.

Marcelo Gross toca aquela guitarra suja (segunda parte da equação Cachorro Grande), que se estiver desafinada você nem vai perceber direito.

Gabriel Azambuja segura as baquetas como se fosse dois martelos (terceira parte da equação Cachorro Grande) e faz de sua bateria uma bancada de marceneiro.

Rodolfo Krieger faz bem a sua parte, mas parece que ainda não tá no gás do Cachorro. É bem mais sossegado.

Pedro Pelotas senta ao seu piano no cantinho e toca com a mesma facilidade que entorna várias copos de cerveja / whisky ou sei lá o quê que tinha naquele copo!!
O que é legal na Cachorro Grande é justamente essa equação de Vocal esganiçado, Guitarra suja e Batera loca. O show dos caras é meio que uma porrada no estômago. Faz bem ver que ainda tem bandas que fazem esse rock despretensioso. Claro que também é legal de vez em quando aqueles solos intermináveis, as viradas de bateria calculadas, os altos agudos e tudo o mais. Mas o fato é que, pra quem gosta de Rock, aquela música rápida, gritada, agitada que poderia muita bem estar saindo de qualquer garagem por aí cai muito bem! Só para divertir.

Porrada atrás de porrada, os caras terminam a primeira parte do show. A galera na fila do gargarejo pede o bis e os caras voltam com a única balada dos três discos, “Sinceramente” que está no “Pista Livre”. Acho que é uma forma deles descansarem...

E já que descansaram, aceleram de novo com “Sexperienced”, e tome a equação RocknRoll de novo.

Pra finalizar, Beto chama ao palco Paulo Miklos e os amigos Tuba e Marcos da banda Faicheclers para tocar uma cover dos Beatles, uma das maiores influências da banda, “Helter Skelter”. Aqui as atrações eram o baterista dos Faicheclers, Tuba, conhecido por quebrar estantes, peles e baquetas de tanta energia que usa ao tocar e Paulo Miklos que merece um parágrafo a parte.

O cara estava muito, muito, muito louco de sai lá o quê. No começo da música ficou boa parte do tempo parado, fazendo cara de mau, talvez encarnando o seu personagem de faoreste na novela da globo. Aí depois começou a apontar para a galera, como se estivesse com um revólver na mão e por último começou a sacolejar como se estivesse recebendo um espírito. Não soltou uma palavra. Eu vi um show dos Titãs no mês passado e é interessante ver como o cara realmente fica “á vontade” quando não está a trabalho.

Enquanto isso, o resto da(s) banda(s) finalizava(m) o show com um barulho ensurdecedor na caixas de som.


Este foi o últmo show dos Cachorros em SP. Agora só no ano que vem. Se você é daqueles que gosta de Rock, vai nos shows para pular, suar, pogar, cantar (berrar) até ficar rouco, recomendo que assista esse.

É bom saber que ainda há bandas que seguem essa vertente do RocknRoll. Saí do Rose BomBom suado, rouco, as 4 da manhã para trabalhar no dia seguinte mas...feliz pra caralho!


Set List (fora de ordem)

Do primeiro CD tocaram:

Lunático
Sexperienced
Debaixo do meu Chapéu
Lili
Pedro Balão
Dia Perfeito
Vai T.Q. Dá


Do segundo:
Hey Amigo
Tudo por Você
As Proximas Horas Serão Muito Boas
Que Loucura
O Truque do Ovo


Do novo:
Você Não Sabe o Que Perdeu
Agora Eu Tô Bem Louco
Desentoa
Super Heroi
Sinceramente
Velha Amiga

MM tem 28 anos, e estourou os alto-falantes do carro escutando a discografia da Cachorro Grande do jeito que esse tipo de som deve ser escutado: No Talo!!
Jeremy finally spoke in Brazil!!!

por MM, em 02/12/2005 - Estádio do Pacaembu

originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/



Ufa! Demorou um bom tempo! Quinze anos para ser mais exato. E olha que ainda teve emoções finais envolvendo a prefeitura de SP, a administração do estádio Pacaembu e a Associação dos Moradores, como vocês devem ter acompanhado por aí. Mas, enfim, Eddie Vedder, o baixista Jeff Ament, o baterista Matt Cameron (ex-Soundgarden) e os guitarristas Stone Gossard e Mike Mc Cready (além de um tecladista contratado) aportaram em terras brasilis para uma série de shows.

Sexta-feira, 2 de dezembro de 2005. Chuva, frio, trânsito, horário do rush. A típica combinação paulistana que nos obriga a ficar horas e horas presos nos carros, ônibus e escritórios.

Eu, paulista, 28 anos de casa, ainda caio na velha história do "vai dar tempo". Vou poupar os detalhes, mas o fato é que só consegui adentrar o Pacaembu quando Eddie Vedder já estava bem louco de vinho, bebendo direto da garrafa e pelo menos oito músicas do set list altamente mutável da banda já tinham sido executadas. Pena, pois queria ter ouvido "Go" e "Animal", ambas do álbum "Vs".

Sem contar que deixei de ver o Mudhoney, banda que tem como líder o vocalista Mark Arm, o verdadeiro responsável pelo surgimento daquele movimento em Seattle. Só como idéia, Stone Gossard e Jeff Ament, atuais guitarrista e baixista do Pearl Jam, foram da formação inicial do Mudhoney.

Ok, sem mais lamúrias. Primeira visão: A garôa insistia em cair, e umas trezentas pessoas se aglomeravam perante a entrada do Pacaembu tentado ver/ouvir algo.

Logo quando entrei, fiz questão de ver como estava a lotação do estádio, já que o Pearl Jam se recusa a tocar em lugares com mais de quarenta mil pessoas por questão de segurança. Arquibancada estava cheia mas, tranqüila. O gramado com um pouco mais de sua metade ocupada por fãs (fãs de verdade) da banda. Comparei com o último show que havia visto no Pacaembu, Iron Maiden em 2004 na turnê Dance of the Death (público de mais de 60 mil) e deu para perceber a diferença.

Dois telões laterais, uma torre no centro distribuindo o som que estava de boa qualidade. Ponto pra galera que acertou isso, pois shows em lugares abertos são um grande passo para um desespero de equalização.

Olhando para o palco, dava para ver o baterista Matt Cameron e só. Para ver o resto da banda o lance era ficar de olho no telão.
Quinze anos se passaram e Eddie ainda usa as velhas e surradas camisas de flanela que tanto fizeram moda na época grunge. Inúmeras delas espalhadas também pela galera.

Cabeludo, barbudo e bebaço, Eddie Vedder é um cara muito gente fina. Se esforçava para falar português a todo momento. E conseguiu pronunciar até umas frases completas.

Quando entrei, estavam nos acordes finais de "Do the Evolution" - uma das minhas preferidas -  e emendaram em "Better Man" - outra preferida - que teve sua parte inicial cantada somente pelo público. Conversando com um e outro no gramado, percebi que já haviam se passado uma hora de show. SHIT!

A cada introdução de música, a galera gritava, fazia barulho, demonstrava pros caras o que eles perderam demorando tanto tempo para vir tocar aqui. E tome hit: "Alive", o primeiro e talvez o maior sucesso da banda.

Fim da primeira parte. E eu começava a me odiar por ter perdido o começo do show.

Voltando para o bis, Eddie Vedder aparece sentado num banquinho. Diz que sente falta de um amigo que morreu a pouco tempo. "Johnny... can you hear me, Johnny?".

Ele fala de Johnny Ramone, guitarrista dos Ramones morto em 2004, aos 55 anos devido a complicacões com um câncer de próstata. A primeira vez que Eddie Vedder esteve no Brasil foi junto com os Ramones, em mais uma turnê da banda do "one, two, three, four", em 1996.

Dedicou e tocou "Man of The Hour" num arranjo acústico para o amigo Ramone.

O Pearl Jam costuma lançar discos de todos os seus shows ao vivo, numa tentativa de conter a pirataria. São mais de 80, se você for procurar por aí. Num deles, eu ouvi a versão de "I Believe in Miracles" dos Ramones. E torci com toda a força para que não tocassem ela no Pacaembu. Você pode pegar qualquer música e tocá-la no estilo punk, mas nunca faça o contrário. O resultado é desastroso, maaaaaaas... esses camaradas de Seatle conseguiram me provar o contrário. Evocê pode confirmar ouvindo a versão que o Pearl Jam gravou no disco "Live At Benaroya Hall - October 22nd 2003". Claro, não foi na velocidade Ramoniana, mas Joey Ramone deve ter gritado um "Hey Ho! Let's go", onde quer que ele esteja.

E então vem mais uma das diversas músicas conhecidas das nossas FM's. "Last Kiss". Atenção: Não é uma música de amor bonitinha... tem um arranjo legal, quase brega, mas é bem triste viu? Gosto dela!!

Sem conseguir enxergar muito bem, me parece que houve uma troca de instrumentos antes de começarem "Rearviewmirror". Os caras estavam à vontade.

Fim do primeiro bis. Muito se falou que o set list do Pearl Jam muda de show para show. Privilégio de uma banda que já tem um bom tempo de estrada e uma coleção de hits na mala.

Dessa vez, Eddie volta, parece que lê um papel e diz em português que sempre ficavam surpresos por ver bandeiras do Brasil em todos os outros países que tocaram. Pede desculpas por não falar nosso idioma, mas que tentará se fazer entender. Falou que estavam realmente felizes de finalmente tocar aqui e que São Paulo é melhor que Seattle (o que será que ele falou no Rio??). Que irão tocar aqui de novo em dois ou três anos, talvez um, não em quinze como foi desta vez. Que está surpreso com a recepção maravilhosa de todos os "brasilians".

Beleza, galera ganha, vamos para a parte final.

"Save you" e chega a hora daquilo que boa parte do público que estava ali queria ouvir, a dupla "Black" - com direitos a isqueiros que eram apagados pela garoa que aumentava - e "Jeremy", única que foi cantada do começo ao fim por toda a arquibancada, ambas do álbum de estréia "Ten". Durante "Black" Eddie Vedder chegou a descer do palco e cantar no corredor entre a galera, para desespero dos seguranças. Ele sempre faz isso..

Como a multa acordada caso extrapolassem o horário era grande demais, encerraram com "Yellow LedBetter" às 21:30hs em ponto.

Em resumo, do pouco que vi, posso dizer que foi um puta show. Tocaram diversos sons conhecidos, estiveram junto com a galera (tem banda que parece que faz show pro espelho) e deixaram os fãs felizes. Talvez, se eles tivessem vindo na época de ouro do "grunge de Seattle", não lotariam todas as apresentações como foi o caso. Lembro que naquela época vi Nirvana (péssimo show), L7, Alice in Chains, etc. A concorrência era maior... Eddie Vedder, mesmo botando banca de "não sou do sistema, não me vendo", soube fazer muito bem. Do The Evolution!

MM tem 28 anos, escuta Pearl Jam há um bom tempo e reconhece que os camaradas de Seattle são a única banda "grande" que sobreviveu da moda grunge. Ah, e acha "Jeremy" ducacete, ainda mais porque é uma história real.




Set List


Go
Hail Hail
Animal
Green Disease
Corduroy
Given to fly
Even Flow
Faithful
MFC
Porch
I got Id
Once
Glorified G
Do the evolution
Better man
Alive


1º Bis
Man of the hour
I believe in miracles
Last Kiss
No Lip
Rearviewmirror


2º bis
Save You
Black
Jeremy
Yellow Ledbetter

Ultraje a Rigor - O Gênio e sua banda no CIE Music Hall!

(por MM em 23/10/2005)



originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/



Se você tivesse um QI (Quociente de Inteligência) de 160 o que faria? Antes de escutar sua resposta, vou te dar alguns parâmetros:

Stephen William Hawking (QI de 172) - Monstro sagrado da astrofísica ficou mundialmente conhecido por levar teses complicadíssimas ao alcance de meros mortais.

William Gates III, o Bill (QI de 175) - Provavelmente o responsável por você estar lendo isto em uma telinha na sua casa

Isaac Asimov (QI de 160) - Assistiu Robocop? Asimov escrevia estórias futuristas há mais de 50 anos e foi o primeiro a utilizar o termo Mecatrônica

Gary Casparov (QI de 190) - Mais conhecido que nota de um, foi o mais jovem campeão mundial e a pessoa que atingiu o maior QI para xadrez da história.

Outro dado: A média do QI da população brasileira bate nos 87

Pronto, agora me responda. Se você tivesse um QI de 160, o que faria? Seria um físico, matemático ou economista de renome?

Já ouviu falar que bom humor tem a ver com inteligência?
Pois bem, Roger Moreira, vocal e líder da banda Ultraje a Rigor tem um QI de 160. E sabe o que ele faz?? Posa pelado pra revista gay, toca guitarra, solta piadas durante seus shows e evita vôos de avião, porque tem medo! Enfim, se diverte como ninguém! Isso é ser inteligente!


Sábado, 22 de Outubro - CIE Music Hall, Moema SP


Mais um show. Mais um Acústico na lista interminável da Mtv. Dessa vez com a banda mais escrachada e divertida do cenário Rock Nacional. Eu sinceramente achava que para o Ultraje, caberia um 'Ao Vivo', mas como eles já haviam lançado o "18 Anos Sem Tirar" em 1999 que, por sinal é um puta dum disco, ok... vamos lá!

Gravado em junho, dias 21 e 22 em SP, CD/DVD Acústico Mtv é aquilo que o Ultraje é. Sem firulas, rock n roll totalmente for fun, sem preocupação com letrinhas de efeito ou coisas do tipo. Sem convidados especiais e apenas um arranjozinho orquestral em "Vamos Invadir Sua Praia". Puro e seco!

Todos da banda, com exceção de Ricardinho - violão base, já fizeram parte de alguma formação do Ultraje. Mingau, que já foi até do Ratos de Porão no baixo, Sérgio Serra no solo, Bacalhau na batera e Roger, o homem do QI de 160, no vocal. Esta formação está junta há uns 2 anos. De apoio no acústico, temos Manito, uma lenda viva, ex-Mutantes que cuidou muito bem dos sopros e da cozinha na percursão. Oswaldinho Fagnani no piano, e Paulinho Campos no back vocal completam o suporte. Esses camaradas também fazem parte do projeto paralelo do Roger, "A Fabulosa Orquestra de Rock n Roll", gravado ao vivo no Rádio Clube em SP, com cara de rock dos anos 50 e 60.


Atraso no show. Parece que houveram problemas com a energia no CIE Music Hall.

Uma hora e pouco além do marcado, sobem as cortinas e banda abre com "Zoraide", emendando com "Independente Futebol Clube" - com a já esperada participação da platéia - "Filha da Puta" e "Inútil". Boa noite da banda para a platéia e vem a versão da música do The Who, "I Can't Explain", batizada de "Eu não Sei" e gravada originalmente pelo Ira.

Roger dá uma descansada. Chega a levantar, se alongar, fazer uns polichinelos, solta umas piadinhas e deixa os vocais a cargo de Mingau que manda "Jesse Go".

O formato é acústico, mas dá para ver que o peso e arranjos das músicas não perdeu em nada com a substituição duvidosa de guitarras por violões. Digo duvidosa, porque aquilo que o Sérginho Serra estava tocando não era um violão. Era uma Guitar Semi-Acústica. E esse é um cara que se empolga. Minha parceira de show chegou a comentar: "- Esse camarada é meio estranho..." E vcs sabem, se mulher falou, é porque algo tem. Brincadeira, Serginho! O cara é o um showman. Ajoelha, empina a guitarra, se joga no chão, poga! Faz o diabo e manda bem nos solos das músicas. Um grande guitarrista.

O set list do show vai seguindo o do CD - pularam "Ah, Se Eu Fosse Homem". Roger escreveu na última hora a música "Cada Um Por Si", uma letra non sense, mas que cabe tranquilamente no repertório do Ultraje.

Uma coisa muito legal dos shows do Ultraje é que eles nunca deixam de tocar os hits. E fala a verdade, quando você vai ver uma banda ao vivo você quer o que? Os hits, óbvio! O Ultraje não decepciona e abre o baú:

"Sexo" que não está no CD, "Pelado", "Nada a Declarar"

Uma crítica. No começo do show o som estava muito ruim. As vezes parecia um amontoado de timbres sem nexo. Nesses, casos, após duas ou três músicas a mesa de som consegue chegar na equalização correta e tudo segue bem. Não foi o caso aqui, mal se conseguia ouvir Roger, quando ele gracejava com a platéia ou com a banda entre as músicas. E durante o som então, sem comentários. O CIE Music Hall fez feio no som desta noite.

Pouca gente sabe, mas a versão de "Cíume" gravada no Acústico é a versão que Roger queria gravar originalmente, com o refrão acelerado e as estrofes "na boa". Ficou legal, mas acho que o produtor da época acertou. A versão inteira na porrada é ducacete.

O ponto de destaque é o baterista Bacalhau. Ex- Little Quail e Ex-Rumbora, o cara é um animal na bateria. Bate forte e numa rapidez incrível. Chega a dar umas pancadinhas na cabeça. Se você tem alguma aspiração a ser baterista, vá ver o Bacalhau tocando em algum lugar. Quando menos esperar, você estará tocando 'Air Drums'! Mais um comentário da minha parceira: "Nooossa! Isso aí é que é tocar bateria, não é??" Sem dúvida, é isso mesmo! E dizem que a Meg White do White Stripes é baterista...

E pra completar a pagação de pau, o cara ainda faz vocal em "Ponto de Ônibus". Grande Bacalhau, a performance na batera valeu na boa 1/3 do ingresso!

O Show foi curto, terminando com "Nós Vamos Invadir a Sua Praia". E vocês acreditam
que teve gente que foi embora?

Azar! Perderam a primeira parte do bis que teve um versão de "Marylou" com ínício totalmente reggae. Ainda vieram "Giselda", "Eu Gosto é de Mulher", "Rebelde Sem Causa", "Eu Me Amo".

Saíram de novo! Mas já?? Nada, voltaram e aí foi só diversão. "Terceiro", rolou cover dos Beattles "This Boy", uns blues, Ricardinho cantou uma de seu homônimo Little Richard e teve até aquela, escrita por Edgar Scandurra, "O Chiclete", onde rola a apresentação da banda.

No total foram 2 horas e pouco de show. Os caras não se intimidaram com essa de acústico. Pra falar a verdade, com exceção de "Ciúmes", os arranjos são praticamente os mesmos. Dá a impressão que os caras pegaram o violão e tocaram praticamente do mesmo jeito, todas aquelas músicas que com certeza, por mais non-sense que sejam, você já cantarolou por aí. Só não foi nota 10 porque o CIE pecou no som. Mas enfim, como já disse Roger: "Inútil!!! A gente somos inútil!!!".

MM tem 28 anos, sempre achou que shows do Ultraje a Rigor são sinônimos de diversão garantida e recomenda que você não saia dessa vida sem ver um.

O Rappa demora pra subir no palco... mas detona tudo em São Vicente

Centro de Convenções de São Vicente - 08/10/2005

(por MM em 21/10/2005)



originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/


“-O Rappa!! O Rappa!! O Rappa!!”. – grita a galera em coro.

Sábado, 8 de Outubro de 2005, Centro de Convenções de São Vicente.

Acredito que a banda está no seu melhor momento, apesar de muitos (inclusive este que vos escreve) acharem que, uma banda que deixa de ter Marcelo Yuka como principal letrista e idealizador, tem que ralar bastante para se manter.

Isso o Rappa está fazendo. Quem vê a agenda dos caras, seja no site ou em fã-clubes, percebe que shows são quase diários. E a banda procura se renovar. Acabou de gravar um Acústico Mtv, formato sempre criticado por ser uma maneira de levantar bandas que caíram no ostracismo. Falcão já percebeu as críticas e lá em São Vicente, falou bastante sobre o assunto. Disse que o Rappa fez um disco “muito foda”, que se dedicaram muito para que o resultado fosse algo que agradasse a quem é fã, e prometeu, na frente de umas três mil pessoas que o Rappa nunca, nunca fará um disco igual ao outro. Valente!


Vi minha primeira apresentação do Rappa há um bom tempo. Quando os hoje enormes dreads de Falcão não passavam de um “cabelo de negão despenteado”. Não me lembro onde, nem quando, provavelmente foi em um destes festivais que costumávamos ter. E duas coisas não mudaram, a maneira insana e nervosa como Falcão solta seus petardos e o atraso na hora de começar o show. – já é meio conhecida a história de que o Rappa costuma esperar a lotação do local da apresentação para subir ao palco. E nessas o show, que era pra começar as 22 horas, começou mais de uma da manhã.

Depois de um bom tempo escutando Black Music que saia repetitivamente das caixas de som, apagam-se as luzez e o DJ Negralha liga seus toca-discos, iniciando a galera no coro:

“O Rappa!! O Rappa!! O Rappa!!”.

Os quatro telões, que durante todo o tempo ficam projetando imagens de comunidades do Rio e motivos engajados, alternam entre o nome da banda e o nome do disco atual, que é a base do show ´O Silêncio que Precede o Esporro’.

Inicio com O Salto II, e logo O Salto. Puta porrada, fazendo todo mundo pular e cantar junto. O que eu mais gosto dessa música são os teclados do Marcos Lobato, dá uma cara legal, principalmente no refrão “E regar as flores no deserto...”

Falcão foi o último a entrar na banda, mas não dá para negar que ele faz o papel de frontman muito bem e se sente à vontade na função. A banda é formado por Xandão (guitarra), Lauro Farias (baixo) e Marcelo Lobato (bateria, que tocava teclado antes da saída de Marcelo
Yuka) e tem a participação do DJ Negralha (pick-up e carrapetas), Cléber (percussão) e Marcos Lobato (teclados), todos fazem o seu muito bem, mas parecem que já estão ensaiados para os shows acústicos que virão. Ficam meio imóveis, o que faz com que Falcão se destaque ainda mais, já que ele não pára de pular, balançar as dreads e agitar a galera. Vale comentar que Falcão nunca se refere a ele apenas, e sempre a “O Rappa”. Prova disso, é a participação dele no Disco/DVD Acústico Bandas Gaúchas, onde ele canta a música “Dívida” com a banda Ultramen. Ele tá sempre lá, dizendo “O Rappa agradece”, “O Rappa e Ultramen”... É isso aí brother, Humildade Sempre!

Vamos pra música! Além do disco novo, rolam sons de Instinto Coletivo, Lado B Lado A e Rappa Mundi.

“Me Deixa”, “Lado B/Lado A”, “Papo de Surdo e Mudo”, “Rodo Cotidiano” – com o coro final de “Oh Oh Oh Oh, My brother”, “Ninguém Regula a América”.

Nessa última, o telão que tem papel importante no geral do show, faz participação mais que especial. As reações que ele provoca ao mostrar uma foto de George Bush, e depois simulando um spray vermelho fazendo um X sobre ela, é duca. A galera grita, manda tomar no cú, mostra o dedo, manda se foder...neguinho fica nervoso mesmo! Originalmente gravada em parceria com o Sepultura, tendo o monstro Derick de backing vocal, essa som tira qualquer um do chão, principalmente na parte final, onde fica mais acelerada . Haja fôlego!!

Rolou até um princípio de briga, causado por uma roda de pogo um pouquinho mais animada. Coisa completamente normal em um show desse estilo.

O local, um galpão bem grande, estava lotado, mas nada desesperador. Dava para assistir numa boa, sem maiores problemas. Claro que sempre rolam uns empurrões, uma “MaryJane” aqui e ali, mas é de se esperar, afinal, como um amigo meu costuma dizer: ‘-Quer conforto? Va ver ópera!’

Falcão lembra o momento político que o país está passando falando pra que nós guardemos bem a cara desses ‘filhos da puta da política’. Fala que a época do Collor foi fichinha perto do que está acontecendo agora:

“-Brother, agora são 5 bilhões!! 5 bilhões!! Não basta roubar pouco não, tem que levar é logo tudo! Puta que o pariu!!! Mas vamos de música, porque aqui é só música brother!”

“Homem Bomba”, “Linha Vermelha”, “Mar de Gente”, “Ilê Aye”, “Pescador de Ilusões”, “Hey Joe”, “Vapor Barato”


Antes de “Minha Alma”, Falcão diz: “Essa música é muito mais de vocês do que da gente”.

Esse foi provavelmente o último show “elétrico” do Rappa. No mês de novembro começa a turnê do disco acústico, provavelmente no Olympia em SP. Falcão mais uma vez fala que o disco ficou foda! Que a galera aguarde.

“Reza Vela” - Fim do show, sem bis (afinal, são mais de 4 da manhã!), serviço bem feito. A banda se despede, a galera aplaude. O show foi muito bom, valeu a pena esperar!

Mais uma vez, Falcão:

“Humildade brother... sempre!”


MM tem 28 anos, não é crítico, jornalista e nem tem tais pretensões, apenas é louco por música e não perde a oportunidade de ver um showzinho.



Nando Reis e os Infernais esquentam noite de SP

CIE Music Hall 17/09/05



(por MM em 21/09/2005)



originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/




"-Ele é carismático não é? Gosto dele!"

Essa frase foi proferida pela minha parceira já na terceira ou quarta música, início do show.

Sábado, dia 17 de Setembro. CIE Music Hall (Ex Direct Music Hall, Ex Palace). Nando Reis e os Infernais comemorando o sucesso da parceria com a MTV no CD-DVD Ao Vivo.

Eu, em minha humilde opinião, considero que Nando Reis foi uma das baixas do Titãs que mais deve ter afetado a banda.


Ótimo compositor, intérprete e músico. Perderam eles e ganhamos todos nós, que agora podemos desfrutar de todo o talento do cara, sem divisões de palco. Nos Titãs, Nando tocava baixo. Nos Infernais, ataca de violão. E ataca mesmo. A impressão que se tem é que depois de uns bons anos com o punho quebrado sobre o baixo, ficou toda uma vontade armazenada. As batidas que ele dá no violão com cordas de aço são cheias de vontade!

O show.
O set list deste show é praticamente idêntico ao DVD, com algumas incursões. Nada mais normal, já que o DVD é uma apresentação gravada ao vivo no famoso Bar Opinião, em Junho de 2004 em Porto Alegre.

Palco montado, sem banda de abertura, pequeno atraso. Entram os Hare-Krishnas, sentam-se e entoam um canto inicial. Aí surge ele, com uma bata branca, um colar. Toma seu lugar no centro do palco, senta naquela posição estilo índio. Violão em punho. A música é Mantra, uma melodia gostosa que fica na cabeça mesmo depois de dias. O dueto com os Hare Krishnas foi uma grande sacada.


No final da música, os Hare Krishnas se empolgam, levantam e começam aquela dança típica com pulos e palmas. Jogam colares para o público. Nando aproveita, levanta e sai para trocar o figurino.


Volta com o seu visual "safári", chapéu India Jones, Ray-Ban e jaqueta. "O Mundo é Bão Sebastião", música feita para o seu filho, ecoa nas caixas.


Nando conversa muito com a platéia. Muito mesmo! E vê-se, através da hesitação e tropeço com as palvras, que ele realmente está emocionado e até um pouco nervoso. Dá boa noite, diz que está muito contente de estar de volta a SP, de estar fazendo um show na frente de seus filhos, sua "amada", seus amigos. O cara está feliz!


Ele conta a historinha de que sua filha Zoé, do alto dos seus 4 ou 5 anos, o cobrou perguntando quando ele iria fazer uma música "O Mundo é Bão Zoézinha", já que o outro filho Sebastião já tem a sua. Para não causar intrigas familiares, o sábio Nando fez uma música para a pequena ruiva. Essa música é um pouco desconhecida da platéia, mas bem agitada. (N.R. - dessa vez eu não anotei as músicas, e nem peguei o set list. Fico devendo essas informações. Foi mal!)


Segue o list, "E.C.T.", "A Letra A", "O Segundo Sol", "Sangue Latino".


Após a execução da linda "Por Onde Andei", onde houve predominância de vozes femininas no coro da galera, Nando comenta que essa coisa da arte é realmente instigante. Ele diz que essa música foi feita após um momento ruim que ele havia passado com sua esposa, um assalto. Um trecho da música diz:


"...amor, eu sinto a sua falta
e a falta é morte da esperança
como o dia em que roubaram o teu carro
deixou uma lembrança..."


Ele conta que ver a reação da platéia, cantando essa música com ele do começo ao fim, faz com que ele definitivamente esqueça o mal acontecido e passe a ver essa música com outros olhos, com outra idéia, muito melhor do que a lembrança que ela trazia antigamente.


Diz também que fala muito, e que havia repetido a mesma coisa no show da noite anterior, mas que não pode deixar de dizer o quão bom é tocar em casa. Pelo público, pela família, pelo lugar e até pelo fato de terminar o show e poder ir para a sua casa, sentir o aconchego, ver os seus móveis.


Na hora de "Resposta", Nando Reis chama um convidado. Como faria um show beneficiente em SP no dia seguinte, Samuel Rosa está na cidade e sobe ao palco para cantar. Aqui um detalhe: No DVD Ira MTV Acústico onde Samuel faz participação na música "Tarde Vazia", ele comenta que pediu a Nasi e companhia que deixassem que ele tocasse violão, mesmo que fosse limado da gravação final, pois sem ter nenhum instrumento na mão, não sabe o que fazer. E para quem o viu no show do Nando Reis, isso ficou explícito. Samuel literamente fica perdido em palco quando tem somente um microfone a sua frente.

Lá pelas tantas, ele apela e começa a tocar "Air Guitar". Nando Reis parece entender e para a segunda música do dueto, "É uma Partida de Futebol" - a primeira parceria entre os dois - deixa que Samuel ataque com seu violão. E aí o cara é realmente outro. Agita a galera, grita, instiga, contagia. Mesmo a música não tendo sido ensaiada foi um dos momentos mais legais do show. No final, Nando Reis agradece à boa vontade da platéia. Diz que o show é feito por "Nós" e não por "Mim". Que sem a platéia, nada daquilo seria verdade. E que os pequenos erros (que aconteceram durante "É uma Partida de Futebol") são normais e dão até um certo tempero ao espetáculo, afinal se quer tudo certinho... que escute o disco. Ele volta ao microfone e diz que isso não quer dizer que ele não procure fazer uma boa apresentação, mas que "Erros são ducaralho e vamos lá!!!!". A platéia vibra!

Por sinal, um parágrafo sobre o público. A casa estava lotadíssima, sem espaço para mais nada. Conseguimos ficar em um local próximo à grade que separa a mesa de áudio do resto da platéia. De lá pudemos ver o show com um certo conforto, sem empurra-empurra e com uma boa visão (até porque, minha parceira é relativamente pequena e precisava de um lugar estratégico!). Normalmente os shows nessa casa atraem um público mais tranquilo, que realmente é fã do artista em questão. E com Nando Reis não foi diferente. A platéia cantou muito, ovacionou muito a banda e se divertiu de verdade. Um espetáculo realmente bonito! Houveram saudações ao futebol - Cruzeiro, o time de Samuel Rosa, um apaixonado confesso por futebol e ao São Paulo, time do Nando - com direito a bandeira tricolor na platéia. Nando ainda falou que todos os torcedores são bem-vindos, mas "Eu sou São Paulino!!"


Músicas "No Recreio", "Relicário", "Me Diga"


Antes de "Não Vou Me Adaptar", ele fala que essa música foi apresentada a ele e aos Titãs há mais ou menos 25 anos por Arnaldo Antunes. E diz que essa é uma daquelas que ele sente orgulho de ter participado da gravação. Que quando ouviu, pensou consigo mesmo: "-Pô... esse é o tipo de música que eu queria escrever!". Essa música tinha sido retirada do repertório dos shows dos Titãs, voltou com a gravação do álbum "Acústico - Volume II" e acabou ficando com Nando Reis. Ele tem razão... a letra é demais!


"Onde Você Mora", gravada por Cidade Negra e cantada do começo ao fim pela platéia. Nando contou uma história imensa antes desta música. Disse que ela nasceu de diversos pensamentos que ele tinha lá em 1979, quando acordava de manhã, era o primeiro a pegar o "CMTC" para a Avenida Paulista. Comentou que gostava de dividir o "silêncio da manhã" com o motorista e o cobrador. Dedica a música a eles, mesmo sem ter a mínima idéia de onde eles estão naquele momento...


Em Marvin, destaque para a performance do tecladista, Alex Veley. Nos solos finais ele tirou o teclado da mesa, empunhando-o como se fosse uma guitarra e fez de tudo! Dançou, colocou e tocou atrás da cabeça como Jimi Hendrix, fez aquele passinho característico de Chucky Berry, e pasmem, fez um slide no teclado com a língua! A galera foi ao delírio!


A banda é muito boa. Felipe Cambraia é um cara tímido com seu baixo, mas cumpre o papel muito bem. Carlos Pontual às vezes parece ter problemas com sua guitarra - como veremos mais adiante - mas quando embala vai longe. O baterista da gravação original foi João Viana, filho de Djavan, mas nesse show me pareceu que o substituto era Diogo Gameiro, que literalmente destruiu a bateria. Banda completa com Nando Reis no violão de 6/12 cordas.


Mais músicas, e o "Os Cegos do Castelo" fecha a primeira parte do show. Nando Reis agradece cantando:


" Aos que tocaram,
aos que se divertiram,
aos que trabalharam,
e os que não viram..."



Pro bis, ele volta e diz que irão tocar músicas das quais ele gosta. Músicas que tocaria em uma rádio se fosse um Disc Jóquei (que termo antigo, Nando!). Músicas que ele costuma colocar no rádio do carro para dançar, batucar, cantar e fazer performances dirigindo. Fala que acha ducaralho quando está parado em um farol e o motorista do lado está viajando com o som. Comenta que algumas pessoas se assustam com as músicas, pois imaginam que o gosto dele é bem diferente, devido às músicas que faz. Mas deixa claro que o gosto dele é bem eclético.


A já esperada introdução de "Fogo e Paixão" gravada por Wando (o obsceno) mixada a "My Pledge Of Love" é iniciada. E aqui todos, sem exceção, cantam aqueles versos:


"Você é luz... é raio, estrela e luar..."


A próxima é "Whisky a go-go" do Roupa Nova. Nessa música, o guitarra Carlos Pontual some do palco, aparentemente com problemas em sua guitarra. Nando Reis fica visivelmente preocupado, pois não para de olhar para o canto do guitarrista, apesar de segurar a bronca com seu violão. Felizmente, Carlos volta à tempo para o solo final da música.


E então, o sucesso na voz de Rogério Flausino do Jota Quest - "Do Seu Lado". Catarse total no público. Ninguém mais se segura e todos pulam, cantam e dançam. Essa música tem um certo poder sobre as pessoas. Parece que na hora do refrão, o que interessa é fechar os olhos, cantar alto, bater palmas e exorcizar os bichos. Nem os Hare Krishnas se aguentam e entram no palco pulando e dançando.


Fim do show. A felicidade nos olhos de Nando Reis é explícita. A banda toda está em êxtase. Ele diz que a noite foi maravilhosa, agradece por aquilo que nós proporcionamos a ele, a alegria e a felicidade. Nós somos o show. O cara mandou muito bem!

Sim... Nando Reis é um cara carismático. Minha parceira tinha razão!


Os Infernais são:

Guitarra - Carlos Pontual
Baixo - Felipe Cambraia
Bateria - Diogo Gameiro
Teclado - Alex Veley
Violão/Voz - Nando Reis


MM tem 28 anos, pede desculpas por algum engano, pois considera que sempre pode estar enganado, mas é maluco por música e acha que "Marvin" é uma das 20 melhores letras de todos os tempos.

Século 21? Novo milênio? Balela! Os anos 2000 nunca foram tão 80 como agora.

originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/



Século 21? Novo milênio? Balela! Os anos 2000 nunca foram tão 80 como agora.

Por MM em 06/05/2005.



Já está mais que claro que o Revival dos Anos 80 é algo bem duradouro. Pense bem, olhe em volta. O ser humano é nostálgico por natureza e sempre dirá "Que bons tempos aqueles..." com ar saudosista.

Na música, uma enxurrada de bandas da década de 80 volta a ativa. Centenas, diversas. E pode ter certeza que quem não voltou, no mínimo cogitou a hipótese.

No último sábado, fui conferir de perto. Directv Music Hall. SP. Show Geração 80. No palco: Léo Jaime, Kid Vinil, Leoni, Ritchie e Roger. Eu diria que o pop/rock tupiniquim estava bem representado. Até porque, as outras bandas da época, ou estão na ativa ou gravaram acústico Mtv.

Noite fria. Casa meio vazia. Era a terceira apresentação em SP. A primeira foi no mês de março, a segunda tinha sido na sexta-feira anterior. Este projeto começou como uma Jam no Morro da Urca no Rio de Janeiro e de lá se espalhou para algumas capitais do país.

Sem banda de abertura, as luzes se apagam. Os acordes conhecidos de "Miserlou" de Dick Dale começam a ecoar nas caixas de som. Cortinas sobem e no palco estão Léo Jaime e banda (baixo, guitarra solo, base, bateria e teclados), onde reconheço o baixista que foi (é) do Ultraje, Mingau.


Léo Jaime está no clima. Vários quilos mais gordo, cabelo meio ralo despenteado, ele comanda a banda na introdução do show. Sem muitas delongas desfila seu repertório: "As Sete Vampiras", "Conquistador Barato", "A Fórmula do Amor", "Nada Mudou". Faltaram baladas como "A Vida Não Presta" e "Gatinha Manhosa".

Surge Kid Vinil. Figuraça. Diz algumas palavras ao público e ataca de "Eu Sou Boy", grande sucesso na época do Magazine.
Diz que Mingau está tocando com o braço quebrado, e por prêmio deixa os vocais de "Até Quando Esperar" com o
baixista.

Palavras de Kid Vinil, "O inglês mais carioca que eu conheço: Ritchie".

Magro, óculos Ray-Ban. O cara é o mesmo de 20 anos atrás. Traz consigo uma flauta e manda "Casanova" (mais conhecida como "Boa Noite Rainha"), "Pelo Interfone", "Transas", "A Vida Tem Dessas Coisas" e o clássico "Menina Veneno". É interessante perceber as reações das pessoas na platéia. Muitos dão risadas, como que não acreditando. Outros fecham os olhos e se transportam. Alguns já calvos, cantam e dançam como adolescentes!

Kid Vinil novamente. Comenta que a década de 80 não morreu. Que todas as bandas atuais se inspiram no som que era feito lá atrás. Ele sabe que está certo e nós também. Chama Leoni. As menininhas (quer dizer, as trintonas) da platéia gritam. É a parte romântica do show. Juro que em alguns momentos pensei ter visto alguém com a vassoura procurando um par para dançar. Antes de cantar "Só Pro Meu Prazer", Leoni diz que as próximas duas músicas são bem parecidas, dizem o mesmo. Mostram esse lado egoísta, possessivo que nós temos. E fala também que normalmente as pessoas o procuram depois do show e dizem que é a música do relacionamento acabado, da vida delas. Enfático, diz que não tem nada a ver com isso, que está ali para cantar. A platéia aplaude.

A segunda música seria "Como eu Quero". Claro, "Garotos" também foi executada, com direito a corinho no final da música.

Kid Vinil aparece e diz que além de apresentar os colegas, canta umas músicas de vez em quando. É hora de "Tic Nervoso", o segundo e último sucesso do Grupo Magazine.

Kid diz que a década também foi de muito humor, escracho e chama o representante-mor dessa vertente: Roger do Ultraje.

Este realmente é um cara que se diverte. Sem delongas, guitarra empunhada, dá-lhe clássicos: "Inútil", "Pelado", 'Sexo", "Marylou". Chama todos para a execução de "Nós Vamos Invadir Sua Praia", que na gravação original tinha Lobão, substituído por Kid Vinil naquela noite.

Aproveitando que todos estão no palco, Léo Jaime diz que tocarão uma música de um companheiro que não está mais presente. "Renato Russo!!", alguns gritam. Ainda não. O homenageado é Cazuza, com "Bete Balanço". Agora sim, "Geração Coca-Cola" encerra o show. Foi uma boa escolha.

Olhos brilhantes, abraços, sorrisos. Eles se despedem. Impossível não sentir uma certa tristeza. Realmente foi a época de ouro da música. A gente era feliz e não sabia...

Em tempo: Após a saída de todos, Kid Vinil assume seu lado DJ e comanda as pick-ups (com cd's) com sons da década. "Sheena is a Punk Rocker", "Private Idaho", "Like a Virgin", "Olhar 43", "Dancing With Myself", "In Between Days", "Ask", "Girls Just Wanna Have Fun", entre outras. Faltaram várias: New Order, Echo, The The, Information Society, Siouxsie. Duas horas depois, ele se despede e pede desculpas. Havia solicitado duas pick-ups de vinil (afinal, ele é o Kid Vinil), mas só liberaram cd's e ele estava abastecido com os bolachões. Definitivamente, os tempos são outros.


MM tem 27 anos, pode ter falado alguma besteira, mas é maluco por música. Escreveu esse review ao som de This is The Day do The The.

As aventuras de um Maidenmaníaco no Rock in Rio III

originalmente postado em http://ricardobunnyman.sites.uol.com.br/

As aventuras de um Maidenmaníaco no Rock in Rio III

(por Marcelo Machado em 19/09/2001)


Depois de uma jornada conturbada, sendo que saí de SP às 13:00hs, e só consegui chegar a Cidade do Rock às 21:30hs, passando por alguns pequenos probleminhas e sem conseguir comprar cartões para recarregar meu celular. Descrevo aqui, aos olhos de um maidenmaníaco como foi o show no dia 19 de janeiro.


Sexta-feira, 19, 10:30 da manhã!!

Acordei muito mal , depois de dormir pouco (havia chegado em casa às 6 da manhã), mas
AQUELE ERA O DIA. O DIA DO IRON MAIDEN NO ROCK IN RIO.

Abri o armário e dei uma olhada na minha camisa do IRON... pensei bem e decidi não colocá-la. Não queria me "perder" no meio da multidão e também a camisa que eu havia comprado no site oficial da banda (www.ironmaiden.com) não havia chegado.

Fui até o banco, buscar o "capital" necessário para a grande jornada que estava por vir, fiz uma limpeza na minha carteira, deixando só cic, rg e o ingresso do show, claro. Tentei comprar cartões para o meu celular (afinal, só tinha 17 reais de crédito) mas não achei. "Tudo bem, na rodoviária eu compro"- pensei. Almocei, dei uma ultima olhada no CD Brave New World e segui rumo a rodoviária Tietê.

No metrô, nada familiar, nenhuma camisa, nenhum maidenmaníaco. Na rodoviária, um guichê com a placa: "Próxima saída Rio - 13:00hs". Olhei no relógio, eram 12:35. Comprei a passagem. O balconista perguntou se eu ia ao show, respondi que sim com um brilho nos olhos. Ele falou que talvez fosse melhor comprar a passagem de volta já naquele momento. Como não sabia que hora iria conseguir voltar, resolvi arriscar e seguir sem passagem de volta. Fui atrás de uma papelaria e do meu cartão de celular. Na papelaria comprei um bloco de anotações de bolso e duas canetas, afinal eu tinha de registrar tudo e não poderia confiar na minha fraca memória. E, mais uma vez, não consegui comprar o cartão de celular. "Bom, na rodoviária do Rio deve ter" - pensei mais uma vez.

Na plataforma de embarque, finalmente o primeiro sinal de que era mesmo dia 19. Um casal metal trajando camisetas com Eddie, o mascote que é praticamente um membro da banda. É engraçado como o assustador morto vivo Eddie fica até que bem emoldurado em um blusa baby look feminina...

Não demora muito e a fila de embarque é tomada por diversas camisa do Iron Maiden, e juro a vocês, é possível ver a ansiedade em cada rosto ali presente. Todos se olham meio puxando papo, afinal já sabemos que estamos todos indo ao mesmo lugar.

No ônibus, sentei em uma poltrona do lado de um cara que iria para o RIR mas para ver Silverchair no domingo (nada contra, mas eu nem sabia que o Silverchair estava no RIR). Detalhe, como comprei passagem de ônibus não-leito, não havia ar-condicionado e o calor era infernal. Eu suava em bicas, e nem havia saído de SP.

Bom, marcha engatada, vamos ao RIO!!

Durante o trajeto começam as conversas paralelas:

"- Meu esse show vai ser muito bom"
"-Tenho que avisar meu pai que está tudo bem"
"- Faltei ao trabalho dizendo que estava com dor de ouvido, mas depois do show acho que vou ficar mesmo",etc..

Descubro que todos no ônibus (menos eu e o cara do Silverchair) estão sem ingressos. Corajosos ou vacilões?!?!?!

15:00hs - parada em Valinhos, mais ou menos 200 KM de São Paulo, a visão do restaurante/lanchonete/posto de descanso é uma só.... inúmera camisas pretas com as mais diversas bandas de rock (outras nem tanto). E vários grupos de fãs do Maiden... eu estava começando a me sentir em casa.

Entrei na lanchonete... tanta coisa para comprar.... comer muito e dormir ou fazer uma refeição leve??, afinal o que estaria por vir não era nada fraco...

Resolvi comprar um pacote de biscoito, uma garrafa de água e uma lata de guaraná. A galera mandou ver nas cervejas...

15:30 saída - um dos passageiros pede para ver o meu roteiro do RIR, o cara parece que não sabe muito bem quem vai tocar no sábado (e eu também não...).
Desse ponto em diante finalmente consegui dormir um pouco...

18:30 - já estamos no Rio de Janeiro, Av. Brasil... mas eu me sinto como se estivesse na Marginal Pinheiros em SP, um transito infernal, o calor mais infernal ainda e uma curiosidade: Porque os ônibus no Rio tem o numero de itinerário também na janela traseira?!?!?

É, mais eu estou no Rio mesmo, fica claro devido ao número infinito de vendedores ambulantes que correm do lado do ônibus gritando: SXXXKOL só um real, água, coca e SXXXKOOLL!! (Incrível, mas as doze horas que passei no Rio não vi ninguém vendendo Brahma, Antarctica ou Bavaria, somente SXXXKOL.... porque será??)

Nessa hora meu companheiro de viagem (que ficou o trajeto inteiro tentando reclinar seu banco) me dá um toque que pode significar a tranqüilidade ou o inferno: No Rio, você entra no ônibus pela porta traseira!

Meu telefone toca, é um camarada de SP (Bunnyman) perguntando onde estou, se estou sozinho e outras coisas. Aproveito e peço para que ele avise ao meu Pai que está tudo certo...

Depois de 40 min aparece a primeira placa indicando onde fica a rodoviária... finalmente, pois ninguém mais agüenta ficar dentro daquele ônibus.

Finalmente descemos na rodoviária... acompanho meus novos amigos até o guarda-volumes, onde eles vão deixar malas e câmeras fotográficas... não entendi muito bem, mas vamos lá.

E não consegui comprar cartão para o meu celular.

Tentei ligar para um amigo que também veio de SP e estava na cidade do rock, mas o telefone dele dá ocupado diversas vezes... e eu iria descobrir porque disso mais tarde...

Fora da rodoviária é fácil localizar o ponto final do ônibus que vai para Cidade do Rock, vazio, tarifa 2,50 e com um motorista que se achava o Nigel Mansell.

O curioso aqui é que a linha não era específica para o RIR e isto fazia com que nas paradas entrassem pessoas que não estavam nem sabendo que o Rio seria palco de um show. Resultado: Por diversas vezes, a cobradora (ou trocadora, como eles dizem lá) teve que gritar para fora do ônibus: " - Esse ônibus é mais caro, vai para o RIR!!!" e lá ia o pobre pai de família ficar puxando a cordinha para o motorista parar e ele poder saltar do ônibus.
Certa hora, nós mesmos estávamos gritando : "Aí mermão, é doisxx e cinqüenta e vai para o Rock In Rio, valeu?!?!"

Mas como é longe... me sinto fazendo um passeio turístico no Rio pagando apenas 2,50. Certa hora o ônibus pára e entram 4 cariocas, já meio grisalhos com garrafas de whisky JB penduradas no pescoço por barbantes.
Um deles senta ao meu lado e grita: "Aieee, motorisxxta, fechamosxx o onibusxx agora valeu?? Acelera forte pro Rock In Rio!!!".

É..., só que não dava para acelerar forte, pois a subida do Alto da Boa Vista (um morro) que teríamos que atravessar era mais do que íngreme, e nosso motorisxxta teve de manter a segunda marcha.

Curiosidade: Passamos em frente ao Hard Rock Café. Como aquilo é imenso!!! Parece um shopping center!!!
Lá dentro não pode ser somente uma casa de shows... deve ter ate sauna mista!!!

Depois de exatas 2:13 minutos, às 21:30, descemos em Jacarepaguá na Cidade do Rock. Como meus amigos foram procurar seus ingressos, pensei comigo: "Agora é cada um por si!"

No percurso de mais ou menos 1kM até a entrada, via-se todo tipo de mercadorias... desde máscaras que imitavam Eddie até aqueles colares de neon (!).

Já na entrada da Cidade do Rock tentei ligar para o meu amigo e nada... para fazer teste tentei ligar para minha casa e nada... tentei a central de atendimento ao assinante e nada. Ai eu me dei conta: Meu telefone não estava fazendo ligações por algum motivo inexplicável!!! Droga!!! E agora??? Fiquei puto da vida!!!

Após um revista bem malfeita... (se eu quisesse entrar armado não iria ter problemas) entrei na Cidade do Rock!! Muita, muita, muita gente!!!

Mas eu estava preocupado com o meu celular. Comecei a mudar as configurações de rede, de sistema, analógico para digital e nada!! O bicho não funcionava nem a pau!!
Depois de uma meia hora, resolvi seguir pelo método antigo. Comprei um cartão telefônico de 60 créditos e fui ate um orelhão!! Liguei para o celular do meu irmão (que trabalha em uma empresa que presta assistência técnica de celulares) e perguntei porque ele não funcionava. Meu irmão devolveu a pergunta querendo saber quem estava tocando (!). Após um pequeno desentendimento, ele me orientou e eu cheguei a conclusão de que iria precisar de pelo menos mais dois cartões de 60, se quisesse me comunicar com alguém.

Liguei para meu camarada em SP (Bunnyman). Ele pergunta: "Quem está tocando? " - Eu respondo: "Ninguém". E ele: "Como não? O Sepultura esta no palco agora, tá na TV". Ai eu me liguei da importância de um engenheiro de som. Eu estava atrás da tenda de tecno, e não conseguia ouvir o Sepultura lá no palco mundo. E não era porque o som estava baixo não... incrível.

Bom, a ligação caiu e eu resolvi comer algo. Preços muito salgados - gastei 5 reais em um misto frio (gelado) e um copo médio de coca-cola!!!

Já alimentado resolvi dar uma volta pela tal "Cidade do Rock". Passei na tenda Tecno e havia uma loira não muito vestida sacolejando ao som de "O que sobrou do céu" do Rappa e vários marmanjos babando.

Passo pelo camarote VIP, que ficava absurdamente longe do palco mundo, quase do lado de fora da cidade do rock e completamente vazio. Acho que quem era VIP mesmo tinha passe livre para o Backstage.

Passeando pelo mini-shopping descubro um stand da Directv cheio de belas e simpáticas atendentes transmitindo o que??? O Show do Sepultura!! Não tive dúvidas, me servi de alguns canapés, puxei uma cadeira e fiquei vendo a banda Nacional mais Internacional do Brasil de camarote. Mas, como fiquei conversando com uma atendente da loja chamada Silvia, não me atentei muito ao Sepultura, pois já vi pelos menos uns três shows dos caras e também o Derek (vocal do sepultura) não estava usando a mini-saia que a Silvia estava(!!!!!!).

Bom, acabou Sepultura, me despedi da Silvia, comprei um cdzinho em promoção na Directv e fui continuar minha tour pela cidade do Rock.
Havia vários stands, todos eles muito pequenos. Submarino, Saraiva, Lojas Renner (!) e diversos outros.

Entrei no stand das Lojas Americanas, para talvez fazer mais uma aquisição sonora. Como era um ovo, o segurança controlava o numero de pessoas para que a lotação lá dentro não passasse de 25 pessoas. Aguardei, entrei e adquiri mais um Cd de uma banda nacional odiada pelos críticos que faria show no dia seguinte.

A esta altura, Rob Haldford já dava seus gritos impecáveis no palco mundo. Nunca fui fã de Judas Priest, mas me desloquei ate a lateral do palco para poder ver melhor. E realmente era uma estrutura gigantesca com uns 70 metros de fundo mais uns 100 de largura. Os telões eram médios, mas forneciam uma visão satisfatória para quem estava mais longe. Dezenas de técnicos e seguranças posicionados em um fosso entre o palco e a galera, que se divertia na lama causada pela água jogada pelos caminhões pipas (ah, então foi isso que irritou Carlinhos Brown).

Rob Haldford é um profissional, entrou, cantou e saiu. Não falou nada com o público e no máximo mandou alguns gritos para que a galera o seguisse. Disse algo e emendou com a única coisa de Judas Priest que eu conhecia - Breaking the law, que mister Haldford deixou que a galera (poucos) cantassem.

Final do show, quebra-quebra de instrumentos e finalmente depois de alguns minutos começaria o tão esperado show do IRON MAIDEN!!!!

Decidi voltar para a borda do gramado. Pois minha experiência de 58 shows diferentes me diz o que esperar da "área do gargarejo" em um show de Hard rock.

00:50hs - estou sentado em frente ao camarote VIP, com fome, sono e frio. Mas ansioso!!!
1:00hs - como o show está previsto para a 1:00, levanto e caminho alguns passos para mais perto da galera. Detalhe que, enquanto o palco do Iron é montado, sobe um pano preto encobrindo parte da visão sobre o mesmo... será alguma surpresa?!?!


Durante a afinação dos instrumentos, uma voz diz: "- Next... ok!", "Next.... ok!" - um maidenmaníaco do meu lado jura que é Bruce (!)

1:08hs - As luzes no palco se apagam... milhares de pessoas começam a gritar e correr em direção ao palco. Tenho vontade de fazer o mesmo, mas confesso: Estou paralisado! Já vi o Iron Maiden no Philips Monsters Of Rock (96, acho) mas era Blaze Bayley que cantava (!!!!). Só que agora temos Mr. Air Raid Siren e Adrian Smith de volta!!! Agora sim é o IRON MAIDEN!!!!
Uma música estilo Carmina Burana invade as caixas de som. Vocês que lêem isto agora não podem imaginar como eu me sentia. Estava em transe.

Eis que a música é cortada subitamente, um refletor mira o lado esquerdo do palco e surge ele: Mr. Adrian Smith tocado sozinho a introdução de Wicker Man. Nicko ataca na bateria e em poucos segundos Bruce entra correndo (algo que não pararia de fazer durante todo o show!), Steve, Dave e Janick... estão todos lá... três guitarras... um peso fora do normal. Um pano imenso no fundo com a imagem da capa de Brave New World. A Donzela está no palco!!!


Sem tempo para respirar, Ghost Of Navigator é executada muito bem ao vivo com um solo monstruoso de Janick Gers, simplesmente perfeito. Os vocais de Bruce são de tirar o fôlego. E ele excita a galera : "Eu quero ouvir a voz de vocês!!!"

Bruce diz Boa Noite ao publico e ataca de Brave New World, faixa título do último trabalho da banda que é um ótimo disco, que marca a volta de Bruce e Adrian mostrando a banda reunida outra vez para alegria dos headbangers.

O primeiro e tão esperado clássico. Bruce pergunta: "Algo velho?? - Algo do meu período Jurássico!!!". E o baixo de Harris e a bateria de Nicko desfilam juntos em Wratchild. Um ponto alto para muitos que ali não conheciam muito bem Brave New World. Bruce deu um grito aqui que eu achei que ele iria arrebentar as cordas vocais.... sensacional. (Alguém ai falou em playback?!?!
QUEM SABE FAZ AO VIVO E NEM PRECISA QUEBRAR GUITARRA!!!!!)

Bruce abraçado a Adrian que executa a introdução de 2 minutes do midnight. Outro clássico que levanta a galera. A esta hora já estou parecendo um louco, sem camisa (a 10 min atras eu estava com frio) pulando e tocando guitarras imaginárias, baterias no ar, cantando e gritando como uma criança. Bruce solta o seu primeiro "Scream for me Rio!!!" e sobe na câmera que fica no trilho. (Mais tarde eu veria no vídeo, que ele filmou o próprio rosto e apontou para galera como que diz... Vejam !! Vejam isto!!!!)

Nesta hora eu me dei conta que havia um helicóptero parado sobre a cidade do rock, provavelmente filmando tomadas para o DVD.

Após a magnífica execução de 2 minutes to midnight, Bruce agradece a todos que os auxiliam, que os suportam e que mantém o rock, diz algo sobre Britney Fuck Spears e dedica a próxima música a todos que agradeceu, Blood Brothers. Uma música melodiosa que emociona. Aqui Dave Murray mostrou por que veio, uma atuação impecável!!! Bruce ainda comanda a galera em uma coreografia de palmas, me lembrando Queen no RIR 1, Radio GaGa.. Adrian Smith também merece destaque. Acho que ele deve ter pensado : "Pô, eu nunca deveria ter saído daqui".

As luzes se apagam novamente, outra introdução clássica. Sign of the Cross é iniciada. Desta vez é Nicko que rege a platéia. Nesta hora Bruce some do palco, para aparecer junto a uma cruz (nos shows da turne Brave New World, Bruce é preso a uma cruz que se levanta no fundo do palco), mas algo dá errado e Bruce volta ao palco visivelmente irritado. Parece que houve algo com a cruz. De qualquer forma, Bruce profissional como sempre não poupa esforços para cantá-la de melhor forma possível, já que o efeito da cruz não vai aparecer no DVD. São 11 minutos de música e uma parte da galera (eu inclusive) canta aquela refrão maravilhoso ( The sign of the cross, the name of the rose....).

Isto me faz lembrar um comentário que li em alguma reportagem sobre o Iron, onde diziam que Blaze Bayley era um bom cantor, mas para cantar no Iron, ser bom não basta... acho que vocês sabem o que eu quero dizer...

Dito isso, outra do disco novo. The Mercenary que agitou muito a galera. Mas repito mais uma vez, nem todos ali conheciam o Brave New World, uma pena, pois é um álbum muito bem feito.

Bruce diz que a próxima música fala sobre guerra e outras coisas que meu parco inglês não consegue identificar. Então a maravilhosa The Trooper é iniciada. Nesta hora percebi que o pano de fundo (ou a imagem nele refletida) havia sido trocado para aquele do single The Trooper (Eddie correndo com a bandeira da Inglaterra). No palco há também duas bandeiras da Inglaterra sobre a bateria de Nicko. Bruce agita as bandeiras e canta a plenos pulmões. (Incrível como Bruce corre, salta de um lado para o outro e continua gritando como se o show tivesse acabado de começar!). Se houvessem arquibancadas na cidade do Rock , com certeza elas desabariam aqui de tanto que a galera agitou.

Aí, então Mr. Air Raid Siren agradece, diz que o público do Brasil é demais e que por isso está sendo gravado um DVD para que o mundo inteiro veja o Rock In Rio, veja o Brasil, a América do Sul e seus fãs.

Janick se posiciona sobre um violão acústico montado sobre um cavalete e é Dream of Mirrors que se inicia. Uma música relativamente grande (cerca de 10 minutos) que literalmente emociona a platéia. Sem comentários...

The Clansman, gravada originalmente por Blaze. A platéia se mantém meio quieta, não sei se devido ao cansaço ou a lembrança do ex-vocal do Maiden. Aqui fica claro que Adrian Smith é o mais sério em palco. Enquanto Dave e Janick se divertem, ele se mantém concentrado.

The Evil That Men Do - Mais clássicos, essa música tem um solo de base simplesmente perfeito e contagiante. Sem contar a "metralhadora" de Harris. E aqui um ponto que me arrepiou a espinha: Eddie (o Eddie Hunter) entra no palco e começa a brigar com Gers, que se diverte dando guitarradas e fugindo do mascote da donzela. Via-se que a galera estava paralisada!!

E o Hino, começa com Bruce dizendo: Lights?? And Black??? Or just FEAR OF THE DARK???

Sim, esta música é um verdadeiro hino. Já é parte do show a participação em massa da platéia nos refrões inicias, intermediários e finais dessa música.

A esta hora eu já estava destruído, e acompanhava o show com os olhos esbugalhados como os de uma criança na frente da vitrine de doces. Estava anestesiado, embalsamado... sem me mexer e sem piscar os olhos.... Hipnotizado.

E vem aquilo que todos conhecem: SCREAM FOR ME BRAZIL!! SCREAM FOR ME ROCK IN RIO!!! WE'RE IRON MAIDEN!!!!! Dave na introdução, seguido de Adrian e Janick. É incrível como essa música ganhou com o acréscimo de mais uma guitarra.

Eddie do single Wicker Man aparece ao fundo tendo fogo ao seu lado e as mulheres de branco dentro dele de onde Bruce canta de forma esplêndida. Na virada da música, a cabeça de Eddie se abre e o rosto é igual ao do Eddie Hunter, com os olhos emitindo um facho de luz vermelha e a cabeça se movendo de um lado para o outro.

"Thank you, and g'night! From Iron Maiden, from Eddie and from the boys...." Bruce vai para dentro de Eddie com as mulheres, Janick e Dave esmerilham suas guitarras nos amplificadores, Nicko, Harris e agora Adrian seguram a batida final!

Nicko, que quase não apareceu, faz a festa jogando peles de bateria, baquetas, munhequeiras, correndo de um lado para outro do palco e some no backstage.

Ninguém se move, afinal todos sabemos que ainda falta Number, Hallowed, Sanctuary e talvez alguma surpresa (Jimmy Page???!)

O intervalo é rápido (menos de 5 minutos) e então aquela voz tenebrosa surge nos amplificadores. O pano de fundo não deixa dúvidas, a capa de The Number of The Beast, o disco de maior sucesso da banda. Mais uma vez a galera vai ao delírio. Eu já estou catatônico. Pulando e tocando bateria no ar!!!

Sem mais interrupções, Hallowed Be Thy Name é executada. Se alguém aqui tem dúvida da força de Bruce, basta ver como ele canta esta música que já é a 16ª do show. Dave mais uma vez mostra que sabe muito bem o que faz com sua guitarra. Vendo parece até fácil. Bruce comanda a galera, como já de praxe na parte final da música, e que solos finais, que fôlego...

Sanctuary indica que o show está nos minutos finais. Bruce não apresentou a banda (mas também, precisa??) e brinca excitando a galera do lado esquerdo, depois o direito ("- Left, Rigth, Left, Right...") .continuando a cantar do nada e a banda acompanhando ele como um relógio. Demais!!!

Bruce então agradece e diz que quer tirar uma foto da banda com a galera ao fundo. Pede para que todos gritem Rock 'n' Roll quando ele contar até três!. A galera responde. Provavelmente esta foto vai para a capa/encarte do disco!!

Aí Bruce diz que eles vão fazer algo especial para nós, tocar algo que não tocam há algum tempo. Algo que representa muito para ele e para banda. E escuta-se as batidas de "Run to the hills". Perfeita, magnífica, com os Back's de Harris, a galera participando, histórico!!!!

03:15hs - Acaba o show, Nicko se diverte um pouco mais e eles somem no backstage. Faltou clássicos??, inúmeros. O show poderia ter algo de realmente diferente? Poderia! Que tal 4 horas de show?? Seria ótimo. Mas creio que assim como eu, aquelas 140, 150, 200 mil pessoas tinham visto que Iron Maiden é realmente a maior banda de Hard Rock! Não há como comparar! Uma performance de palco de fazer a inveja. E olha que os caras tem só 24 anos de carreira!
IRON MAIDEN É IRON MAIDEN E ISTO BASTA!

Observação Final: Na saída do show, um dos portões laterais se abrem e duas vans cantam pneus em meio á multidão. Devido ao trânsito, elas dão uma pequena parada. Olho para uma delas e reconheço Nicko McBrain se secando com um toalha. Na outra, Harris olha pela janela, parecendo assustado. Não sei se ele está me vendo, mas faço um sinal de quem está batendo palmas, Harris dá um sorriso agradece abaixando a cabeça e faz um sinal de positivo com o polegar... A Donzela está mais ativa do que nunca!
UP THE IRONS!!!!!!!

Estou em frangalhos, o ônibus demora no trajeto, metaleiros dormem no chão da rodoviária, eu só consigo passagem para as 7:20hs da manhã. Mas valeu a pena, faria tudo de novo...


Max Machado tem 23 anos, foi taxado de louco, mas está feliz. Atualmente passa por uma overdose de Iron Maiden escutando os seus velhos vinis e ainda não conseguiu comprar cartão para o seu celular.

SET LIST:


The Wicker Man
Ghost of the Navigator
Brave New World
Wrathchild
2 Minutes to Midnight
Blood Brothers
Sign of the Cross
The Mercenary
The Trooper
Dream of Mirrors
The Clansman
The Evil that Men Do
Fear of the Dark
Iron Maiden

The Number of the Beast
Hallowed Be Thy Name
Sanctuary
Run to the Hills



terça-feira, junho 28, 2005

Até onde vai a devoção por uma banda?

Plase, don't put your life in the hand of my rocknroll band...

Os versos acima foram cantados pelos irmãos briguentos do Oasis em Worderwall. Lembrei disso enquanto assisitia a Music Television Brasil. Cazé, que eu considero um dos Vjs menos alienados, apresentava o seu novo programa: Quebra-Cazé. Não dá para descrever o formato, ele fala de tudo, faz de tudo. Mas vamos ao que interessa. Em um dos quadros do programa ele, fazendo-se passar pelo telemarketing da Mtv, ligou para uma telespectadora (que palavra velha) e disse que estava informando os principais fãs que a banda Linkin Park (aquela, do filho da Cher) tinha chegado ao fim. Claro, uma brincadeira. Mas, o que me chamou a atenção é que a menina começou a chorar no telefone. A soluçar!! O Cazé fez cara de espanto, mas continuou na brincadeira. Sugeriu que ela começasse a gostar de outra banda, tipo o KLB (!).

Sei lá... eu fiquei triste quando o Joey Ramone morreu e tudo o mais, mas é meio exagero não?? Eu sou Maidenmaníaco, mas sinceramente acho que já tá na hora da Donzela fazer sua turnê mundial de despedida.

Exageros... exagerado...

Terça-feira, 28/06/2005...

Mais um dia...
um Z imenso para desenvolver e uma crise de hipoglicemia à vista... mais um dia...

Mais um dia...

Mais um dia...

terça-feira, dia 28/06/2005 - hipoglicemia a vista